Paulo Li trabalhou na Assembleia na época do secretário

Chinês foi contratado pelo Legislativo em março de 2003, como secretário parlamentar, e saiu em 2007

Moacir Assunção, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2010 | 00h00

O chinês Li Kwok Kwen, o Paulo Li, investigado e preso pela Polícia Federal sob acusação de contrabando, foi contratado pela Assembleia Legislativa no mesmo período que o então deputado estadual pelo PMDB e hoje secretário executivo do Ministério da Justiça, Romeu Tuma Júnior, esteve no Legislativo paulista

O Estado pesquisou no Diário Oficial do Estado, do dia 19 de março de 2003, em que ele é citado na nomeação como secretário parlamentar I, em comissão, em vaga decorrente da exoneração de Eliana Ruiz Ikosa. Se ele trabalhasse até hoje, seu salário seria entre R$ 5 mil e R$ 7 mil, fora eventuais gratificações.

Tido como um dos líderes da máfia chinesa em São Paulo, Li deixou o cargo somente em 15 de março de 2007, substituído por Alexandre Dias. Sua exoneração também foi publicada no Diário Oficial daquele dia. Seu período à frente da função, que exige diploma de curso superior, coincide exatamente com o mandato de Tuma Júnior na Assembleia paulista, primeiro no PPS e depois no PMDB, pelo qual chegou a ser corregedor da Casa.

A publicação não especifica em que gabinete ele estava lotado - os assessores sempre são contratados por ato da Mesa Diretora e posteriormente mandados para os gabinetes dos parlamentares. Li não era conhecido pelos funcionários da época.

Kung fu. O chinês, que se apresenta como mestre de kung fu e é dono de uma academia de artes marciais na Liberdade, região central de São Paulo, mantém uma relação antiga com os Tuma. Quando o senador Romeu Tuma (PTB) foi superintendente da PF em São Paulo, ele costumava almoçar com delegados e chegou a dar aulas da arte marcial a policiais federais.

O surgimento do nome de Li como personagem do escândalo gerou reação de entidades ligadas ao esporte, que fizeram questão de se desvincular do chinês. A Confederação Brasileira de Kung Fu Wushu e Kuoshu Chinês, por exemplo, apressou-se em dizer que não tem ligação com Li. "Recebemos telefonemas até do exterior querendo saber o que aconteceu e isso prejudicou nossa imagem", lamentou o mestre Josenir Silva.

A confusão alcançou a família do mais conhecido mestre em São Paulo, Li Wing Kay. O filho dele, que também se chama Paulo Li, chegou a ser confundido com o homônimo preso. "Tive muitos problemas porque a gente estava fazendo um evento e muita gente não nos levava a sério", disse o filho do mestre.

Procurado, o presidente da Assembleia, Barros Munhoz (PSDB), não se pronunciou, assim como o líder do PMDB, deputado Jorge Caruso.

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