Paulo Preto revê Eduardo Jorge na Justiça

Vice-presidente do PSDB negou ter dito a revista que ex-diretor da Dersa desviou recurso de [br]campanha do partido

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2011 | 00h00

Frente a frente, o engenheiro Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, e Eduardo Jorge, eminência tucana. Os dois não se cumprimentaram, nem um aperto de mãos trocaram. A cena ocorreu ontem na acanhada sala de audiências da 1.ª Vara Criminal do Fórum da Lapa, onde tramita ação penal movida por Souza contra o vice-presidente do PSDB, por crime contra a honra.

Eduardo Jorge teria declarado em agosto, à revista IstoÉ, que Souza, ex-presidente da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) no governo José Serra, desaparecera com R$ 4 milhões da campanha do partido à Presidência da República, em 2010.

Durante 15 minutos, entre 15h21 e 15h36, os dois oponentes permaneceram diante da juíza Cynthia Straforini. Eduardo Jorge afirmou que jamais fez tal declaração. Informou ter enviado correspondência à revista pedindo retificação.

Diante do impasse, a juíza suspendeu a sessão e deu prazo de dez dias para que as partes estudem eventual composição. "Esta não é uma ação entre amigos, é uma ação criminal", declarou Souza. Seu advogado, o criminalista José Luís Oliveira Lima, advertiu: "A única possibilidade que vai ser analisada por mim e pelo meu cliente é se eventualmente forem publicadas quatro páginas com as pessoas negando taxativamente que tenham dito aquilo."

Claudio Pimentel, advogado da revista, disse que vai conversar com os autores da reportagem e com a direção do veículo para decidir sua estratégia.

"Quero que todo mundo assuma publicamente que mentiu atingindo minha honra", disse Souza. "Fui acusado de roubo, mas até agora não existe esse dinheiro. Nunca participei de arrecadação. O PSDB não pode desconhecer minha vida pregressa."

Souza disse que concedeu entrevista à IstoÉ e que suas declarações "foram rigorosamente mantidas, sem nenhuma distorção". "As declarações (de Eduardo Jorge) são verdadeiras."

Alvo do Ministério Público, por suposto favorecimento a familiares em contratos, Souza disse que já abriu mão do próprio sigilo. Sobre a empresa Peso Positivo, subcontratada no Rodoanel, foi categórico. "Minha mãe tem 84 anos, tem 1% da firma do meu genro. É ridículo achar que o coordenador-geral de todas as obras sobre pneus tenha favorecido o genro num contrato de R$ 91 mil, quando administrei R$ 12 bilhões."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.