PCB participou da fase final do conflito e colecionou erros

A revolta do Quebra-Milho já era conhecida quando lá chegaram representantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB) para comandar o movimento. O partido, no entanto, investiu mais na guerra midiática, distribuindo panfletos e declarações nos jornais. Até setembro de 1951, quando os comunistas se retiraram da área, não foram registradas mais mortes. Mais tarde, a cúpula do PCB avaliou que a luta armada não era o melhor caminho de poder e apagou de sua história o envolvimento com a guerrilha dos posseiros paranaenses. A revolta ocorreu num período em que as instituições estavam em funcionamento. Os comunistas foram chamados de traidores pelos líderes caboclos, por terem revelado táticas e números do movimento armado em sessões de tortura.

, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2010 | 00h00

Um dos homens do PCB que fizeram a ligação entre o partido e os posseantes (posseiros) entrou para a história brasileira pelo caminho do futebol. O jornalista e técnico João Saldanha- que chegaria à seleção brasileira - já tinha sido campeão carioca pelo Botafogo, em 1948, quando organizou a parceria do PCB com os posseiros. O apelido João Sem Medo, dado pelo cronista Nelson Rodrigues, não tem relação com o jagunço odiado pelos posseantes, também chamado de José Sem Medo.

Delação. O partido deixou o campo de operações no Paranapanema em setembro de 1951, nove meses depois de entrar, quando Celso Cabral de Mello, um dos seus representantes, foi capturado pela polícia. Posseiros acusaram Mello de entregar as estratégias guerrilheiras, o que teria permitido o desmantelamento do grupo. Quando Moisés Lupion deixou o governo estadual, seu sucessor, Bento Munhoz da Rocha Neto, passou a adotar uma política menos repressora contra os posseiros.

A realidade da guerra de guerrilha foi dura demais para um partido que, embora fosse dirigido por Luiz Carlos Prestes, protagonista da famosa Coluna Prestes, não tinha experiência de usar civis num conflito armado.

A nova postura do partido, de repúdio à luta armada, levou dirigentes da sigla a jogarem na lata de lixo a experiência no Paraná. Em 1962, com o racha no PCB e a criação do PC do B, a experiência de guerrilha no Paraná voltava a alimentar os sonhos dos comunistas agora dissidentes. Foi o PCdoB quem montou a guerrilha do Araguaia, tempos depois, no Sul do Pará.

Um dos organizadores da guerrilha no Araguaia foi Pedro Pomar, dirigente comunista morto pelo regime militar em 1976. Pomar é o elo entre a guerrilha paranaense e a do Araguaia, atuando ao lado de João Saldanha na montagem da logística do grupo armado no Paraná. Anos depois, Saldanha e Prestes avaliaram que o Quebra-Milho foi marcado por erros.

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