PCC: 33 advogados estão na mira da OAB

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, pediu à seccional paulista da OAB que apure suspeitas de ligação de 33 advogados com o PCC. Uma lista com os nomes foi entregue a Busato pelo deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE), da CPI do Tráfico de Armas. Também foi enviada à OAB relação das visitas feitas por esses advogados a detentos do PCC. Segundo a OAB, uma única advogada fez 106 visitas a detentos do PCC. Em 22 de fevereiro, ela visitou seis presos. O deputado contou que há casos em que o advogado visita o preso sem ser formalmente seu defensor. Busato determinou a criação de uma comissão para sugerir à CPI medidas para controlar o crime organizado. Já indiciada pela suspeita de formação de quadrilha por ligações com o PCC, a advogada Adriana Telini Pedro, de Franca (SP), também é investigada por associação para o tráfico. O segundo inquérito foi aberto após escutas telefônicas autorizadas pela Justiça em 2005 indicarem que Adriana tentou ajudar Andreza, filha do detento José Aparecido de Lima, a achar uma porção de maconha após o pai ser detido. No outro caso, foi flagrada passando informações a um detento para assaltar dois de seus clientes. A lista provocou forte reação de advogados. "Para nós, criminalistas, o termo suspeito é muito próximo de autor", disse Crizoldo Onório Avelino. Segundo ele, advogado não é padre para ouvir confissão de preso. "A gente não sabe se ele tem mais de uma mulher ou se participa de grupo criminoso." Ele acha que os advogados da lista devem ser os que visitaram clientes em Presidente Venceslau 2. "Quando isso acontece, os parentes ficam aflitos e pedem que o advogado vá à penitenciária. Eu fui e o que vi é que eles estão a pão e água."José Claúdio Bravos, presidente da subseção da OAB de Marília, negou ligação com o PCC. "Tenho 30 anos como advogado, sou professor universitário e nunca recebi um centavo do crime organizado. Estou sendo acusado porque atuo na defesa do direito dos presos." Lindemberg Pessoa de Assis diz que a lista é "um absurdo". "Sou um advogado independente, tenho um escritório humilde em Osasco e defendo os presos quando sou procurado e contratado por suas famílias." Lindemberg acredita que os advogados viraram o bode expiatório do momento. "É fácil para um deputado fazer uma lista leviana."Marisa Pires negou ligação com o crime organizado. "Só atendo a clientes constituídos. Mas um advogado não sai perguntando para o cliente se ele faz parte de uma organização criminosa. Só falo com eles o necessário." Marcos Antônio Arantes Paiva classificou a lista como "loucura". Ele é membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB e diz que defende a legalidade no cumprimento das penas. "Às vezes, sofremos retaliação." Para Iracema Vasciaveo, a lista é "ridícula". Ela foi visitar o líder do PCC em Bernardes. "Já falei para todo mundo que não sou advogada do Marcola. Estive lá porque recebi ligações de parentes de presos que diziam que eles estavam sendo espancados." Gustavo Rodrigues Piveta disse estar surpreso: "Não é porque a gente atende interesses de quem quer liberdade, que a gente comungue dos mesmos ideais."

Agencia Estado,

07 de junho de 2006 | 06h58

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