PCC adota estratégia "paz e amor" e encerra greve em Venceslau

Os 502 líderes do Primeiro Comando da Capital presos na Penitenciária 2 (P-2) de Presidente Venceslau, no oeste do Estado, encerraram a greve de banho de sol, iniciada em 19 de junho. A iniciativa faz parte da estratégia "paz e amor" recém-adotada pela facção, que inclui formas mais brandas de protesto, como pichações em muros e ônibus e distribuição de cartazes com apelo à imprensa.A greve foi feita em protesto contra suposta opressão exercida pela direção do presídio, que colocou homens armados para vigiar os líderes da facção e reduziu o banho de sol para uma hora por dia, e em grupos de 80 presos por vez, algo incomum no Brasil. Agora, em vez de iniciar quebra-quebra ou de deixar de sair para o banho de sol, os detentos vão receber apoio dos familiares nas visitas do fim de semana, o que não ocorre desde 12 de junho."Eles dizem que o PCC entendeu que não dá mais para radicalizar. Quem sai prejudicado é a população carcerária", contou um agente penitenciário.Nesta semana, frases denunciando abusos e opressão contra detentos e com críticas ao governo foram pichadas em muros de Franca, São José do Rio Preto e Bauru. Cartazes com o mesmo conteúdo foram enviados para jornais de Bauru e Rio Preto. Em Jundiaí, um ônibus foi pichado denunciando a "opressão carcerária".Em São Paulo, a polícia prendeu na quinta-feira Dácio Cândido da Silva, líder do tráfico de drogas na zona leste. Ele mandou adolescentes distribuírem panfletos com a mensagem do PCC. À polícia, Silva disse que usava o dinheiro do tráfico para comprar cestas e leite para moradores pobres.A polícia não acredita nesta nova roupagem adotada pelo PCC. O primeiro argumento é sobre um grande ataque que estava previsto para Presidente Venceslau e Presidente Prudente. O ataque seria executado por integrantes de uma quadrilha que atua para o PCC no Paraguai e militantes da facção reunidos no interior do Estado. "Se eles quisessem paz não estariam armando esses ataques", disse o delegado Seccional de Prudente, Marcos Mourão. "Vamos manter o estado de alerta."

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