PCC assume autoria de atentado em São Vicente

A localização de um cartaz com uma mensagem escrita com caneta esferográfica e assinada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), na noite de terça-feira, a uma quadra do Fórum de São Vicente, pôs fim à resistência das Polícias Civil e Militar da Baixada Santista a admitir que o atentado praticado ontem à tarde era de responsabilidade da facção criminosa. "Os oprimidos contra os opressores. Enquanto não parar as covardias e os maus tratos no sistema penitenciário, não pararemos com nossas ações sem limites. Estamos fortes como nunca. Estamos fortalecendo mais com as opressões que eles botam em cima da gente. Pode aguardar seu Nagashi (Furokawa, secretário das Administrações Penitenciárias de São Paulo). Ass. 15.3.3 PCC", dizia a mensagem. Em uma ação extremamente ousada, quatro homens entraram no fórum, disparando metralhadoras e matando o advogado Antonio José da Silva, de 35 anos. O vigia José Aílton Bezerra de Lima, 39 anos, foi ferido e ficou internado até o final da tarde desta quarta-feira no Hospital São José e já está fora de perigo. Granada Durante a fuga, os homens lançaram uma granada no saguão do fórum. O artefato foi desativado na noite desta terça pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), recrutado em São Paulo. No momento da ação, treze detentos encontravam-se no interior do prédio prestando depoimento. Cerca de 15 policiais militares faziam a escolta. Além do cartaz do PCC, a Polícia localizou nesta quarta uma das duas motos utilizadas na ação criminosa. A mota havia sido roubada na manhã desta terça-feira, no bairro Aparecida, em Santos. Durante todo o dia, as Polícias Civil e Militar da Baixada Santista mantiveram-se mobilizadas em toda a região, a fim de prender o grupo suspeito. Segundo informou o diretor-adjunto do Departamento de Polícia Jurídica do Interior (Deinter-6), José Paulo Spagna, "nenhuma pista estava sendo desprezada, objetivando a localização dos autores do crime, que chocou a Baixada". Revolta e indignação Em nota divulgada nesta quarta-feira, o presidente da OAB-SP, Carlos Miguel Aidar, exigiu novas medidas de segurança, afirmando que esse tipo de afronta aos direitos básicos da cidadania não pode ficar sem resposta. "O assassinato de Antonio José da Silva, o Toninho de Cubatão, como era conhecido o advogado recém-formado, por atuar como estagiário em um escritório daquele município, traumatizou e indignou toda a advocacia brasileira. Metralhado no Fórum de São Vicente, ele foi a primeira vítima fatal das facções criminosas, que agem dentro e fora dos muros das prisões", disse. O clima era de revolta e indignação durante o enterro do advogado, realizado no final da tarde de desta quarta, no Cemitério Municipal de Cubatão. Familiares e amigos da vítima não se conformavam com a ocorrência, lembrando a todo o instante da insegurança que ameaça a todos.

Agencia Estado,

20 Fevereiro 2002 | 17h10

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