PCC é suspeito de executar e carbonizar vítimas em carros

Facção usaria método para dificultar identificação de vítimas; em 3 anos, houve 101 casos

Bruno Tavares e Josmar Jozino, O Estadao de S.Paulo

08 Outubro 2008 | 00h00

O Primeiro Comando da Capital (PCC) encontrou outra maneira para matar seus desafetos e dificultar a identificação das vítimas: carbonizar os corpos em porta-malas ou no banco de trás de veículos roubados e furtados - semelhante à prática do ?microondas?, queima com ajuda de pneus, nos morros cariocas. A Polícia Civil investiga a participação da facção em pelo menos sete dos nove assassinatos desse tipo nos últimos 24 dias na capital e na Grande São Paulo. Em três anos, já são 101 casos. Peritos do Instituto Médico-Legal (IML) constataram, nos últimos três anos, crescimento na quantidade de corpos carbonizados. Uma contagem feita pelo Núcleo de Antropologia Forense do IML Central - que atende à maior parte dos postos do instituto na capital - mostra que o pico ocorreu em 2006, quando foram registrados 43 casos. No ano seguinte, deram entrada no instituto 31 cadáveres nessas condições. Neste ano, até ontem, já foram 27. Embora essa contabilidade também contemple os mortos em incêndios, peritos ouvidos pela reportagem dizem que a maior parte dos corpos carbonizados analisados nesse período apresentava sinais de execução. Em alguns casos, as vítimas tiveram as mãos e os pés amarrados. "O fato de os corpos estarem queimados dificulta o nosso trabalho, mas, até agora não deixamos de identificar ninguém", disse um legista. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) suspeita que dos nove corpos carbonizados encontrados a partir de 12 de setembro deste ano, sete vítimas foram executadas a mando do PCC, ou mesmo por integrantes da facção, sendo cinco na zona leste e duas na zona norte. O outro crime aconteceu na zona sul, no fim de semana passada, e o último anteontem à noite, em São Bernardo do Campo, no ABCD. Em 16 de abril, dois homens amarrados com fios de cabo de aço foram encontrados numa Picape Montana, na Avenida Giovanni Gronchi, Morumbi, zona Sul. Os corpos estavam carbonizados. O DHPP prendeu dois suspeitos do crime - ambos têm ligações com o PCC. No dia 12 de setembro, PMs encontraram três corpos carbonizados num Gol, na Rua Tineciro Icibaci, em Itaquera. Segundo a Polícia Civil, o carro havia sido roubado dois dias antes no Conjunto Habitacional Teotônio Vilela, também na zona leste. No início da madrugada de 1º de outubro, outro corpo foi encontrado na Rua Tineciro Icibaci, na altura do número 1.200. A vítima carbonizada estava no porta-malas de um Celta preto, roubado em 2006 em Sapopemba, zona leste. Às 7 horas do mesmo dia, no mesmo bairro, PMs encontraram outro corpo carbonizado, num Fusca estacionado na Rua Agrimensor Sugaya. Segundo o DHPP essas mortes podem estar relacionadas. "Os corpos foram deixados em locais diferentes para prejudicar as investigações", disse um delegado. Anteontem, o corpo carbonizado de um homem foi encontrado no porta-malas de um Fiesta branco no bairro Estoril, em São Bernardo. Os braços da vítima estavam amarrados. O carro foi adquirido de forma fraudulenta.

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