PCC iria explodir prisão para soltar líder

Fusca foi o mais importante membro da facção preso em 1 ano

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

27 de março de 2008 | 00h00

O Primeiro Comando da Capital planejava explodir a muralha da Penitenciária 2 de Guarulhos. Os guardas da muralha seriam mortos, iniciando uma fuga em massa cujo verdadeiro objetivo seria resgatar Wagner Roberto Olzon, o Fusca, o homem que se tornou o tesoureiro da cúpula da facção. Mantida sob sigilo pelas autoridades, a detenção de Fusca em 28 de fevereiro foi a mais importante prisão de um integrante da organização criminosa ocorrida nos últimos 12 meses.O plano e a prisão Fusca foram discutidos ontem em reunião do setor de inteligência do Exército, das Polícias Civil, Militar e Federal e da Administração Penitenciária no Comando Militar do Sudeste. Documentos apreendidos em uma penitenciária mostram que Fusca era o caixa de Daniel Vinícius Canônico, o Cego, o ladrão que ocupa o cargo de porta-voz do líder máximo do PCC, Marco Herbas Camacho, o Marcola.Ele mantinha contato ainda com os dois maiores financiadores da organização criminosa: os traficantes Marcos Paulo Nunes da Silva, o Vietnã ou Cão, e Edilson Borges Nogueira, o Biroska ou Dudu Nobre. O plano de resgate de Fusca foi descoberto pelos funcionários da penitenciária. Sabiam que integrantes da facção estavam atrás de explosivo plástico C4.Na semana passada, o tesoureiro da facção, que já foi preso no passado por roubo seguido de morte, foi transferido sob forte escolta da PM às pressas para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, onde estão os principais líderes da facção. A medida foi tomada para desarticular o plano da facção. Além dele, a Administração Penitenciária transferiu Cristian de Souza, o Alemão, para outra penitenciária no oeste do Estado. Alemão havia sido preso em companhia de Fusca e estava no mesmo presídio.Há muito tempo que a inteligência da polícia trabalhava para identificar o homem conhecido apenas como Fusca ou Carro Velho. O apelido aparecia em investigações sobre os planos e investimentos sobre o chamado "progresso" ou "bicho-papão", como a cúpula do PCC se refere à venda de cocaína no Estado.Fusca seria o responsável pelos pagamentos feitos pelo PCC de aluguéis de casas, armas e propinas. Uma denúncia levou os policiais da inteligência da PM a localizá-lo. Seus passos passaram a ser acompanhados e, às 22 horas do dia 28, ele foi interceptado pelos homens das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) quando trafegava em seu carro pela Avenida Guilherme Cotching, na zona norte.Com ele e com Alemão, os PMs da Rota acharam R$ 680 mil e dois quilos de cocaína. O dinheiro seria usado para a compra de drogas, suspeita a polícia. Um terceiro acusado escapou. Ele testemunhou a prisão dos comparsas, avisando a cúpula do PCC sobre a detenção. Suspeita-se que o dinheiro pertencia a Vietnã, que controla o tráfico de drogas no complexo das favelas da Rua Alba, do Vietnã e Água Espraiada, na zona sul de São Paulo.Os policiais da Rota levaram o dinheiro e a droga para a sede da Polícia Federal (PF), em vez do Departamento Estadual de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), da Polícia Civil de São Paulo. A PF fez o auto de prisão em flagrante dos acusados e o remeteu à Justiça Federal.Com Fusca foram achadas transcrições de conversas interceptadas de lideranças do PCC. Autorizadas pela Justiça, as gravações envolvendo Canônico e Julio Cesar Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, foram parar nas mãos do crime organizado. Julinho é o segundo homem na hierarquia do PCC. Tanto ele quanto Canônico foram enviados à penitenciária de Presidente Bernardes, onde ficarão internados em regime disciplinar diferenciado por um ano. Eles planejavam novas ações do PCC em São Paulo.

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