PCC já negocia e lucra com tráfico para facções do Rio

'Embaixador' da facção paulista foi preso no fim de semana junto com traficante do Comando Vermelho

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2009 | 18h20

O Primeiro Comando da Capital (PCC) já negocia e lucra com a venda de drogas para diferentes facções criminosas no Rio. A descoberta da polícia do Rio ocorreu no último final de semana, quando uma equipe da 20ª Delegacia de Polícia prendeu no sábado o traficante paulista do PCC, Ricardo Alexandre Estela, no Engenho Novo.   Veja também: Dados sobre a violência no Rio saem com 3 meses de atraso Homem é preso com fuzis de madeira e submetralhadora no Rio   Estela estava acompanhado do traficante do morro da Mangueira ligado ao Comando Vermelho (CV), Carlos Alberto Barroso, que também foi preso. Escutas telefônicas mostraram que Estela também negociou, no mesmo final de semana, com Alexandre dos Santos Pessoa, o Carioca, do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, apontado como fornecedor de drogas para a facção Amigos dos Amigos (ADA).   De acordo com os investigadores da 20ª DP, Estela assumia no Rio o posto de "embaixador do PCC". No dia de sua prisão, ele negociava a venda de 764 quilos de maconha sem saber que a droga havia sido apreendida na sexta-feira pela Polícia Federal, em Dourados, no Mato Grosso.   "O PCC já deixou de ser uma facção criminosa paulista e tornou-se um gerenciador da entrega de drogas em todo País. Não é diferente no Rio. Não importa a facção, agora o PCC quer negociar e obter lucro", afirma o chefe do Serviço de Investigação da 20ª Delegacia de Polícia, Ricardo Wilker.   Em setembro de 2008, o delegado titular da Delegacia de Combate às Drogas, Marcus Vinícius Braga, revelou ao Estado o poder de fogo do PCC no Rio ao revelar que a facção criminosa exigiu a entrada do crack nas favelas para vender cocaína ao CV. Até então não havia registro da relação do PCC com outra facção no Rio.   "Pode ser que nas cadeias exista uma maior afinidade com determinada facção, mas aqui fora na hora de vender o PCC só quer saber se vai lucrar", disse Wilker. Além da Mangueira e do Complexo do Alemão, dominados pelo CV, a maconha do PCC iria ser distribuída para favelas controladas pela ADA a partir do Morro dos Macacos.   Branco, calvo e discreto, Estela é identificado pela polícia do Rio como um investidor e distribuidor do PCC no tráfico de drogas no Rio, que circulava livremente pela cidade. A maconha paraguaia negociada por ele com traficantes cariocas entrava no País pela cidade fronteiriça de Aral Moreira, no Mato Grosso, por meio de Reginaldo da Cruz Coronel, o Chinelo, que está foragido.   Ele remetia a droga até Dourados onde a maconha era recebida por João Aparecido de Jesus, o João Bolão, que armazenava o entorpecente e enviava a Paulo Cezar Nazário de Lima, o Paulão, apontado como distribuidor a maconha para outros estados. Os dois últimos acusados foram presos pela PF junto com Fagner Ramos Fernandes durante a apreensão dos 700 quilos de maconha.

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