PCC nega relação com ataque a ônibus em São Paulo

De dentro da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) disseram ontem ao Estado que a facção nada teve a ver com os ataques contra ônibus e policiais ocorridos na noite de terça-feira, em São Paulo. Os presos ligaram para o celular do advogado Jerônimo Ruiz Andrade Amaral, defensor de vários deles. Ele confirmou que os detentos falavam de dentro do presídio. A reportagem, que estava no portão da penitenciária, falou por cerca de dez minutos com três presos. Naquele momento, a P2 estava ocupada pela Tropa de Choque da Polícia Militar. "O que tem são pessoas usando o nome do PCC para fazer várias coisas que nós não estamos fazendo", disse o que parecia ser o líder. Nenhum dos presos se identificou, nem por apelidos. O líder disse que "ninguém quer brigar, mostrar força para o governo, só quer tirar cadeia com dignidade". "A família (na visita) entra embaixo de cano de 12", disse. E afirmou: "Ninguém mais suporta o que o governo está fazendo." Segundo eles, a revolta na P2 começou porque, "sem mais nem menos", guardas dispararam balas de borracha. Agentes "(Os detentos) Dizem não serem responsáveis por atentados e que não mataram ninguém. No entanto, nossos colegas são mortos e há baixas somente do nosso lado", diz um comunicado divulgado por agentes de segurança e funcionários da P2. "A ordem é para matar um agente por dia", afirmou um agente penitenciário, que pediu para não ser identificado. Ele participou do remanejamento de presos na P2. "Eles (os presos) falaram que sabem tudo da casa da gente e deram detalhes. É assustador", contou. "Olham para a gente com sede de morte." O agente confirmou que a ordem para os ataques em São Paulo partiu dos líderes que foram transferidos na quarta-feira: Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue; Fabiano Alves de Souza, o Paca ou Gugu; e Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka. Eles estavam com celulares. O diretor do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp), Ivan Vicentini, confirmou que os agentes sofrem ameaças de morte, e afirmou que os detectores de metais usados nos presídios não impedem a entrada de celulares.

Agencia Estado,

08 Fevereiro 2007 | 09h23

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.