PCC planejava comprar detector de metal

Facção pretendia adquirir aparelho idêntico ao que é usado nos presídios

Josmar Jozino, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2009 | 00h00

O Primeiro Comando da Capital (PCC) se preparava para importar da Itália um detector de metal semelhante aos usados nas penitenciárias paulistas. Integrantes da facção criminosa iriam receber de representantes da empresa europeia no Brasil treinamento para manipular a porta. O objetivo do grupo era ensinar seu pessoal a driblar o equipamento e a segurança no presídio para introduzir armas, drogas e aparelhos de telefone celular nas cadeias.A facção procurava um detector de metal SMD 600, Multizona, idêntico aos instalados nas penitenciárias de regime fechado de São Paulo e encontrou um modelo mais sofisticado, o SMD 601, orçado em R$ 50 mil, em uma distribuidora no Itaim-Bibi, na zona sul.O plano do PCC só não deu certo porque policiais do Departamento Estadual de Narcóticos (Denarc) prenderam, em novembro de 2008, sete homens apontados como torres (chefes). As prisões ocorreram em um apartamento na Vila Guilhermina, na Praia Grande. Segundo o Denarc, com Paulo de Oliveira, de 28 anos, o Portuga, foram encontrados R$ 153.600,00, provenientes da venda de drogas. Os policiais civis apreenderam contabilidade do PCC, pagamentos a advogados e uma carta assinada por uma mulher chamada Carla.A carta, de 15 linhas, chamou a atenção. A mulher informa que fez a cotação do equipamento e explica a diferença entre os modelos. Esclarece que a venda do detector de metais é feita por um representante de uma empresa da Itália e cita o nome, o endereço e o telefone.No inquérito, o delegado Carlos Batista cita a apreensão da carta e faz a seguinte observação sobre o plano do PCC: "Induz a um raciocínio de que existe algo em andamento com relação aos detectores de metais nas portas de acesso das penitenciárias." O relatório foi concluído em 22 de dezembro.Além de Portuga foram presos e indiciados por associação para o tráfico e formação de quadrilha Flademir dos Santos, de 27 anos, o Da Festa; Alessandro Barbosa, de 29, o Doce; Cássio Bento, de 30, o Cris; Ronaldo Pinto, de 36, o Bochecha; Reinaldo Rocha, de 28, o Gordinho, e Jorge Augusto dos Passos, de 25. Os documentos apreendidos mostram que o PCC gastou, em agosto de 2008, R$ 57 mil com advogados na capital e R$ 29,5 mil no interior.

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