PCC planejava montar ''cooperativa'' do tráfico

Ação descoberta pela Polícia e pelo Ministério Público tinha como objetivo comprar, a preço mais barato, cocaína da Colômbia e da Bolívia

Josmar Jozino e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2008 | 00h00

O Primeiro Comando da Capital (PCC) quer montar uma cooperativa com traficantes de 17 Estados brasileiros, incluindo o Estado do Rio e Minas Gerais, para comprar, a preço mais barato, cocaína da Colômbia e da Bolívia. O plano foi descoberto pela Polícia Civil e Ministério Público. Ontem, em três ações distintas, policiais civis deram um duro golpe no crime organizado. Foram presos 43 integrantes da facção criminosa, sendo sete na Baixada Santista, 28 em Sorocaba, no interior, e oito em São Bernardo do Campo.O plano de "globalização criminosa" do PCC foi descoberto pela equipe do delegado seccional de Diadema, Ivaney Cayres de Souza, e pelo Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Santos. Durante seis meses, policiais civis e promotores de Justiça investigavam as ações do traficante Luís Altino da Silva, o Chuck. A polícia apurou que a quadrilha dele movimentava R$ 1,5 milhão por mês de drogas na Baixada Santista.Interceptações telefônicas feitas com ordem judicial revelaram que Chuck mantinha negócios com João Vitor da Silva, o Robinho, uma espécie de gerente do tráfico da quadrilha em Vicente de Carvalho, no Guarujá, em Santos, Cubatão e Praia Grande, cidades da Baixada Santista. O grupo era subordinado a dois presos da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, que abrigam a liderança do PCC. Um foi identificado como André Irineu Gonçalves, o Bigode, e outro apenas pelo apelido de Cai-Cai.Segundo Cayres de Souza, numa das conversas, Cai-Cai, com o uso do celular dentro da cadeia, participa de uma teleconferência com traficantes de 14 Estados. O preso propõe a "globalização do PCC no Mercosul", com a criação de uma cooperativa interestadual para barganhar e comprar cocaína da Colômbia e da Bolívia. A cooperativa cuidaria do refino da coca e da logística para distribuir a droga no Brasil.As escutas telefônicas também levaram à identificação de outros traficantes do grupo. Os sete integrantes do PCC foram presos na Baixada Santista. As investigações e prisões foram acompanhadas pelo promotor de Justiça de Santos, Cássio Roberto Conserino. Ainda de acordo com a Polícia Civil, as interceptações revelaram que Robinho participou do roubo de um EcoSport em 14 de agosto deste ano na Baixada Santista. Em São Bernardo do Campo foram presas oito pessoas acusadas de envolvimento com o tráfico e o PCC. Segundo a Polícia Civil, o bando cumpria ordens de Raimundo Cavalcanti Galdino de Freitas Filho, o Juarez, preso na semana passada.De acordo com a polícia, as instruções eram passadas para Aline Olinto Micheline. Ela está foragida e era encarregada de distribuir a droga da quadrilha em presídios. O estudante de química Rogério Gomes Meireles é um dos presos. Ele desviava ácido clorídrico, éter e acetona da empresa onde trabalhava para refinar a cocaína.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.