PCC usa hotel para traficar em presídios do interior

Em Lavínia, 49 mulheres de detentos estão presas na delegacia, antes lugar para bêbados

Josmar Jozino, O Estadao de S.Paulo

28 Outubro 2007 | 00h00

O Primeiro Comando da Capital (PCC) começa a investir em hotéis não só para hospedar parentes de presidiários, mas também para controlar o tráfico e organizar a distribuição de drogas em presídios do interior. A informação é do delegado-titular Reginaldo Mendes da Costa, da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de Itapetininga, a 180 quilômetros da capital. Na madrugada e manhã de ontem, 19 pessoas foram presas por tráfico na vizinha Guareí. A cidade tem dois presídios. A Penitenciária 1 abriga 1.166 detentos do PCC. Entre os presos estão Walmir Francisco Peretto, de 48 anos, o Gordão, e Fernanda Aquino de Oliveira Peretto, de 39. O casal é dono do Palácio Hotel, em Guareí, há 4 anos. Os policiais apreenderam dois revólveres 38, um quilo de cocaína, um quilo de maconha e meio quilo de crack. Interceptações telefônicas deixam claro a negociação de drogas. "Eles usavam o hotel como base para organizar a distribuição da droga em presídios da região de Itapetininga, de Guareí e de outras cidades do interior, onde estão os presos do PCC", explicou Costa. Além de Fernanda foram presas outras seis mulheres. Duas iriam visitar presos. Em Lavínia, que ganhou dois novos presídios em 2005, há 49 detidas, 47 por tráfico de drogas - as outras 2 por homicídios. A "casa delas cai" na revista íntima. A Polícia Militar adotou nova tática: averiguar as malas das mulheres na cidade. Sete foram presas na semana passada assim em Lavínia. Algumas delas desistiram de vir com a excursão para evitar as blitze nas estradas. A maioria das centenas de visitantes não causa problema algum no interior. Mas a minoria das mulheres de presos que está indo para a cadeia assusta numa cidade como Lavínia, cuja delegacia possuía uma carceragem só para bêbados, arruaceiros e um ou outro ladrão. As novas unidades fizeram a cidade dar um salto populacional, de pouco mais de 5 mil para os atuais quase 8 mil. Chegaram as caravanas de mulheres de presos, o comércio local melhorou e o antes taxista solitário agora tem a companhia de outros 23. Só o que não vem é o asfalto, prometido na construção das penitenciárias. Quando chove, como no início dessa semana, os três quilômetros de estrada de terra até o presídio se tornam impraticáveis. JUDICIÁRIO O caos se instalou nas duas Varas de Execução Criminais (VECs) de Araçatuba com mais de 11 mil processos em andamento e 1 mil vindos de outras comarcas à espera para dar entrada. Os volumes estão espalhados pelo chão. Dez computadores não têm lugar para ser instalados. Fruto da chegada dos presídios à cidade e às vizinhas Mirandópolis, Lavínia, Valparaíso e Avanhandava. "Tiraram a Casa de Detenção de São Paulo e transferiram para Araçatuba", disse o diretor do cartório, Gismar dos Santos Custódio. É um problema que se repete em outras comarcas. "Se aqui não andar, a conseqüência pode ocorrer nos presídios, com os presos se revoltando com a demora", alerta. COLABOROU EDUARDO NUNOMURA

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