PCC usou arma de PM em ataque e perseguição

Cabo alega que arma encontrada com Balengo, líder da facção, foi roubada

José Dacauaziliquá e Josmar Jozino, O Estadao de S.Paulo

16 de dezembro de 2008 | 00h00

A pistola calibre 380 encontrada com Carlos Antonio da Silva, de 30 anos, o Balengo, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), em 7 de novembro, no assalto mais violento do ano em São Paulo, é de um cabo da Polícia Militar. Jurandir de Souza Xavier, de 40 anos, alega que teve a arma furtada, mas só prestou queixa quase um mês depois, em 5 de dezembro, quando foi chamado ao 38º Batalhão para prestar esclarecimento.A quadrilha de Balengo, também armada com fuzis, roubou um banco em Guarulhos, na Grande São Paulo, e foi perseguida por PMs até o Tremembé, na zona norte da capital. O principal líder do PCC em liberdade morreu na troca de tiros com PMs. Nas mãos dele foi apreendida a pistola 380, número KYC63562. A perseguição terminou com mais dois mortos, um deles o soldado Ailton Tadeu Lamas, de 44 anos, além de 12 feridos.A ação foi tão violenta que os bandidos quase derrubaram o Helicóptero Águia 14 da Polícia Militar, atingido por um tiro de fuzil. Xavier está em licença médica há três meses. No dia 5, ele foi chamado por superiores ao 38º Batalhão, na zona leste, para explicar se era dono da pistola Taurus, 380. O cabo confirmou ser o proprietário, mas disse que a arma fora furtada e não se lembrava da data. Após ser ouvido, o PM foi ao 44º DP (Guaianases).O delegado Diogo Dias Zamut Júnior e o escrivão Hélio Mendonça da Silva registraram o boletim de ocorrência 4728/2008. No B.O., porém, consta que a pistola 380 tem a numeração KYO63562. A Taurus, fabricante da arma, informou que essa numeração não existe. Na delegacia, o cabo Xavier alegou que sempre deixou a pistola sob o banco do motorista do Fiat Palio de sua mulher. O cabo acrescentou que estacionou o carro numa rua em Itaquera, perto do local de trabalho de sua mulher, e se ausentou por aproximadamente 4 horas. No boletim de ocorrência, consta que não houve arrombamento do veículo.A gerente Alessandra Silva, de 35 anos, mulher do cabo, acredita que o marido não tem ligação com o crime organizado e ressaltou que notou sinais de que a porta do passageiro do veículo foi danificada. Ela disse que o PM está de licença médica desde setembro por um problema de visão e a família passa por necessidade, por causa da redução no salário dele. "Não veio ninguém da PM ver ser nós estamos precisando de ajuda. Tenho três filhos homens (de 5,12 e 17 anos de idade). Se um deles aparecer com uma inscrição para fazer a prova da PM, eu quebro as pernas para não sair de casa", desabafou.A PM já apurou que no B.O. do 44º DP consta o número errado da arma. A 5ª Sessão do Estado-Maior informou que Xavier já foi chamado para prestar depoimento na corregedoria. O cabo deverá depor ainda na Delegacia de Roubo a Bancos e novamente no quartel.

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