PDT aguarda carta de Alckmin para anunciar apoio

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, disse nesta segunda-feira à Agência Estado que o candidato da coligação PSDB-PFL à Presidência, Geraldo Alckmin, comprometeu-se a enviar entre hoje e amanhã uma carta na qual assume o compromisso de cumprir as exigências dos pedetistas e, assim, receber apoio do partido no segundo turno da campanha presidencial.Ainda que Alckmin assine o termo de compromisso nas próximas horas, Lupi esclareceu que o partido só formalizará o apoio no dia 16, próxima segunda-feira, depois de encontro do Diretório Nacional, no Rio de Janeiro. "Até a reunião do dia 16, podemos apenas apresentar indicativos de apoio", declarou.Entre as condicionantes para o apoio, o PDT exige do candidato compromissos como a "aceitação plena do papel legislativo e fiscalizador do Congresso, sem mecanismo de cooptação do tipo mensalão, nem de usurpação com excesso de medidas provisórias"; o "tratamento de corrupção como crime hediondo"; a "transformação do MEC em Ministério da Educação básica com a responsabilidade de executar plano nacional de implantação do horário integral, conforme projeto criado por Leonel Brizola no Rio de Janeiro, em todas as escolas do Brasil no prazo máximo de 15 anos"; a "criação imediata dentro do novo MEC de uma secretaria para a erradicação do analfabetismo, no prazo de 4 anos"; a adoção de "um piso salarial nacional para os professores da rede pública de ensino"; e a "garantia dos direitos dos trabalhadores contidos na Constituição e na Consolidação das Leis de Trabalho", entre outras medidas.O PDT também cobra o fim das privatizações e a manutenção do controle estatal da Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica. "Aguardamos dos tucanos a resposta a esse compromisso público. Enquanto isso não acontecer, não temos como formalizar nosso apoio. Ainda não recebemos nada, mas o PSDB ficou de enviar uma resposta entre hoje e amanhã", informou.DebateO desempenho de Alckmin no debate no domingo na Rede Bandeirantes impressionou o presidente do PDT. "O debate foi muito forte, quente e Alckmin teve uma posição convincente. Na média, Alckmin teve uma postura melhor, mais forte e acuou o presidente Lula", disse Lupi.Na avaliação de Carlos Lupi, Lula conseguiu apenas equilibrar o debate quando passou a tratar de política externa. "Entendo que a audiência foi muito grande e uma parcela do eleitorado que votou em Cristovam Buarque (PDT) e em Heloísa Helena (PSOL) no primeiro turno depende fundamentalmente do debate para se decidir em quem votar no segundo turno", observou. "Alguns eleitores podem também mudar de candidato a partir do debate e, como Alckmin foi melhor, pode obter a transferência de alguns votos que foram de Lula", acrescentou.O presidente do PDT em São Paulo, o deputado eleito Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, foi mais incisivo ao elogiar a desenvoltura do tucano no debate. "Alckmin mostrou que não é chuchuzinho, revelando firmeza, característica não identificada até então por parte do eleitorado", analisou. "Gostei bastante da forma como ele demonstrou a indignação que sentimos em relação ao governo Lula."Na terça, ao reassumir a presidência da Força Sindical, Paulinho anunciará apoio a Alckmin, antecipando-se à decisão do PDT, que só deve ser anunciada no dia 16, após reunião do Diretório Nacional."Vamos assumir nossa posição, de apoio a Alckmin, durante evento na Força. Entendo que o desempenho de Alckmin no debate trará um novo ânimo na militância, em São Paulo, no Rio de Janeiro e principalmente no Nordeste, onde ele precisa de votos. Vamos trabalhar intensamente para a eleição de Alckmin", afirmou Paulinho.

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