PDT segue como o ''rebelde'' da coalizão de 17 partidos

Governo espera que as dissidências na base aliada não ultrapassem 40 votos, o que daria para aprovar mínimo de R$ 545

João Domingos, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2011 | 00h00

Dos 17 partidos que formam a base do governo na Câmara, a presidente Dilma Rousseff só não conseguiu enquadrar o PDT na defesa do salário mínimo de R$ 545, concluíram ontem os líderes governistas. A proposta com o novo valor deverá ser enviada entre hoje e amanhã ao Congresso.

De acordo com o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), a intenção é votar o projeto de lei com R$ 545 na semana que vem, na Câmara e no Senado. "Temos pressa, porque o salário mínimo envolve milhões de trabalhadores. Se ficar essa confusão, milhares de ações com pedido de efeito retroativo a janeiro serão protocoladas na Justiça", disse Vaccarezza.

O PDT, o único dos aliados que resolveu enfrentar Dilma na questão, apresentará proposta de R$ 560. "Vamos prever a antecipação de 2,5% do porcentual do reajuste do ano que vem. Isso não vai quebrar nem as prefeituras nem as empresas, que têm crescido muito", disse o líder do partido, Giovanni Queiroz (PA).

Ele e o líder do PDT no Senado, Acyr Gurgacz (RO), tiveram ontem reunião com o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, ao qual comunicaram a decisão do partido de não acatar os apelos da presidente.

Para o deputado Paulinho Pereira da Silva (PDT-SP), que defende os R$ 580 propostos pelos sindicalistas, se esse valor não for viável, a saída dos descontentes, e da oposição, será descarregar os votos no projeto de seu partido. Ele tem pedido aos parlamentares que defendem outro valor que assinem todas as emendas acima dos R$ 545. O PSDB proporá R$ 600; o DEM, R$ 565.

Dissidentes. Nas contas do governo, no entanto, os dissidentes serão no máximo 10% da base parlamentar de Dilma. Como a maioria soma 388 deputados - o único partido independente, o PV, com 14 deputados, decide hoje que valor vai apoiar -, o governo calcula que cerca de 40 deputados de sua base votarão contra os R$ 545. Se os cálculos estiverem certos, a vitória da proposta do Planalto será expressiva.

Nesse caso, os partidos vão evitar fechar questão sobre o tema - um expediente que usam para obrigar os parlamentares a serem fiéis. Quem desobedecer pode ser punido com advertência ou até expulsão. O único que estuda tomar essa atitude é o PT.

Mas o grupo que vem anunciando discordâncias quanto à atuação de Vaccarezza - que inclui Arlindo Chinaglia (SP), Henrique Fontana (RS) e Odair Cunha (MG) - anunciou ontem que não há possibilidade de votarem contra o governo. "Nós somos governo", disse Fontana. "Nosso voto será a favor da proposta", acrescentou Cunha.

O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), anunciou que o partido está fechado com Dilma: "Não haverá dissidências. Não será preciso tomar nenhuma atitude punitiva". Até o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que ameaçara propor R$ 560, desistiu da ideia. "Não farei isso. Sou economista e sei que cada R$ 1 a mais representa mais R$ 300 milhões de rombo", anunciou Cunha.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.