Pe. Júlio ganha prêmio de direitos humanos

Ministro defende reconhecimento por trabalho com moradores de rua, dois meses após denúncia de extorsão

Camilla Rigi, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

Quase dois meses depois de denunciar que foi vítima de extorsão por um menor da Fundação Casa, e ser acusado de sedução de menores, o padre Júlio Lancellotti será homenageado no Palácio do Planalto, em Brasília. Lancellotti é um dos vencedores da 13ª edição do Prêmio dos Direitos Humanos, concedido pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República. A homenagem abrange dez categorias e homenageia pessoas e instituições. O padre foi o vencedor na área de Enfrentamento à Pobreza e deve receber na próxima terça-feira um certificado e uma obra de arte criada pelo artista plástico Siron Franco. Esta semana, o ministro Paulo Vannuchi declarou publicamente que o prêmio foi um reconhecimento ao trabalho desenvolvido por Lancellotti com os moradores de rua de São Paulo e defendeu o padre, dizendo que ele é vítima de um linchamento. Quanto às acusações de desvio de dinheiro supostamente cometido pelo religioso, o ministro destacou que as investigações policiais ainda não foram concluídas. Vannuchi é um dos seis membros da comissão julgadora. Os outros juízes são: o presidente da Fundação da Associação Catarinense para a Integração do Cego (Acic), Adilson Ventura; a coordenadora do Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial, Maria do Carmo Ferreira da Silva; o professor da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília, José Geraldo de Souza Júnior; a socióloga e integrante da Comissão Brasileira de Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Margarida Bulhões Pedreira Genevois, e a coordenadora do Comitê Nacional em Educação em Direitos Humanos, Aida Maria Monteiro da Silva. Ainda na categoria de Enfrentamento à Pobreza, serão premiadas a entidade Obras Sociais Nossa Senhora do Morro, de Minas, e a coordenação do projeto Caminhada pela Paz. Os concorrentes geralmente são indicados, mas há os que inscrevem trabalhos. O Estado procurou o padre para comentar a premiação, mas ele não retornou as ligações.Outro vencedor, na categoria Dorothy Stang - Defensores de Direitos Humanos, é o presidente da Comissão Municipal de Direitos Humanos de São Paulo, José Gregori, que milita na área desde os anos 50.

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