Peça mostra influência de d. Pedro II na imigração libanesa

Peça mostra influência de d. Pedro II na imigração libanesa

Há 135 anos, as primeiras pessoas do país asiático chegaram ao Brasil e iniciaram uma das maiores colônias fora do Oriente Médio

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2015 | 10h00

SÃO PAULO - Quando dom Pedro II visitou o Líbano, em 1876, presenteou o imperador do país com uma caixa encrustada de pedras preciosas, simbolizando a riqueza brasileira. Quatro anos depois, os primeiros imigrantes libaneses – dos milhares que viriam - começaram a chegar ao Brasil, vendo aqui uma alternativa à falta de perspectiva econômica de sua região que estava dominada pelo império turco-otomano.  Estima-se que vivam no Brasil cerca de 7 milhões de descendentes libaneses- metade deles no Estado de São Paulo.

Neste ano, completa 135 anos do início dessa imigração e para marcar a comemoração a Associação Cultural Brasil-Líbano montou uma peça teatral em que conta a visita de dom Pedro II ao Líbano. “Ele foi um diplomata, um divulgador do Brasil e deixou claro para os libaneses que seriam bem-vindos por aqui”, contou Lody Brais, presidente da associação.

Não foi exatamente riqueza o que os libaneses encontraram quando chegaram ao Brasil, mas, sim, possibilidade de trabalho. Eles ocuparam um espaço deixado vago pelos imigrantes europeus, que dominavam a agricultura. Foi, assim, que os libaneses se estabeleceram como comerciantes, primeiro como mascates e depois como donos de lojas e armazéns.

“Diferentemente dos europeus, que chegaram ao Brasil por um incentivo do governo, os libaneses imigraram para cá de forma espontânea e tiveram que se virar. E o comércio deu um retorno rápido para eles”, contou Juliana Khouri, mestre em estudos árabes pela USP e neta de sírios e libaneses.

O primeiro núcleo de comércio libanês foi formado na rua 25 de março, depois na década de 1950, foi expandido para a região do Brás, disse Juliana. “Ocuparam comercialmente essas duas áreas, que no começo tinham terrenos mais baratos. Mas moravam principalmente no Paraíso e no Ipiranga.”

Religião. Além da perspectiva econômica, os primeiros libaneses que vieram para o Brasil eram em sua maioria cristãos que sofriam perseguição do império turco-otomano, liderado por muçulmanos.

Apesar da perseguição, eram chamados pelos brasileiros de “turcos” - porque, até a década de 1920, havia apenas um tipo de passaporte para todos os habitantes do Império Otomano, do qual o Líbano fazia parte. “Era muito ofensivo para os libaneses serem chamados de turcos, por isso, a maioria dos descendentes ainda hoje não gostam de ser confundidos”, disse Juliana.

As diferenças religiosas estão sendo deixadas de lado agora, já que o Brasil está recebendo uma nova leva de imigrantes, vizinhos dos libaneses: os sírios. Clubes e associações sírio-libanesas estão se organizando para ajudar os refugiados recém-chegados. “Assim como o Líbano abriu suas portas para receber os sírios [recebeu mais de 1,1 milhão de refugiados nos últimos quatro anos], nós, libaneses aqui no Brasil, também nos solidarizamos e queremos ajuda-los”, disse Lordy.

SERVIÇO:

As Boas Vindas do Imperador – texto e direção de Samir Yazbek com a Cia Teatral Arnesto

Local: Teatro Sesi-Fiesp

Endereço: Avenida Paulista, 1313, Jardim Paulista, São Paulo-SP

Data: 29/09/2015

Horário: 20h30

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