Peças do voo 447 do Airbus chegam à França na 3ª

As 640 peças localizadas serão transferidas do Recife para a sede da Airbus em Toulouse

Andrei Netto, para o Estado de S. Paulo,

10 Julho 2009 | 08h54

Chegam à França na terça-feira os destroços do Airbus A330-200 da Air France que realizava o voo 447, acidentado no Oceano Atlântico em 31 de maio. As 640 peças localizadas durante as buscas realizadas pelas Forças Armadas do Brasil e da França serão transferidas do Recife para o Centro de Testes Aeronáuticos (Ceat) em Toulouse, sede da Airbus.

 

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Peças como a deriva do jato - um dos maiores destroços localizados - e pedaços do teto e do piso, além de móveis e objetos pessoais, como os coletes salva-vidas, serão incorporadas à apuração das causas do desastre, mesmo que já tenham sido alvo de inspeções por parte de peritos do órgão francês de investigação, o BEA. O Ceat é o principal centro europeu de testes aeronáuticos e serve regularmente a exames do BEA.

As primeiras análises do estado das peças permitiram aos experts descartar a hipótese de deslocamento e ruptura estrutural do avião em pleno voo, reforçando a possibilidade de que o aparelho se chocou com o mar ainda íntegro.

O envio das peças à França é realizado pelo cargueiro Ville de Bordeaux, da Airbus, usado para transportar peças para a montagem do avião A380, o novo modelo da empresa.

Os destroços se somarão aos dados técnicos coletados pelo BEA nos dois países. A autoridade de aviação civil, assim como o Ministério Público de Paris, aguardam ainda o envio dos exames médicos legais realizados no Recife nos 50 corpos localizados, do total de 228 mortos no acidente. Diferenças entre as legislações do Brasil e da França vêm atrasando a entrega dos dados aos técnicos franceses. Apesar da demora, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy trocaram elogios nesta semana sobre a colaboração bilateral desde o desastre.

Caixas-pretas

As Forças Armadas da França prosseguirão as buscas das caixas-pretas, que deveriam se encerrar hoje, quando o submarino nuclear Émeraude deixa a região. Apenas robôs-submarinos seguirão à procura das balizas, cujos sinais de rádio podem, inclusive, já ter cessado. A baixa probabilidade de recuperação dos gravadores foi comentada, ontem, por Pierre-Henri Gourgeon, diretor-geral da Air France. "Como as caixas-pretas ainda não foram localizadas, nós temos poucas informações, o que abre campo a toda sorte de especulações", afirmou, em entrevista ao jornal Le Figaro.

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