Peças, móveis e o título de nobre. No leilão de Rothschild

Pouca gente sabe, mas um ilustre membro da família Rothschild vive em São Paulo há 18 anos. O barão suíço Cyril Rudolf Maximilian von Goldschmidt-Rothschild, de 57 anos, mora em uma casa na Granja Viana, não quis saber de ser banqueiro e botou no martelo 230 preciosidades - parte do leilão ocorreu ontem à noite, parte está prevista para hoje. Entre as peças, um par de cadeiras francesas feitas de carvalho em 1790, um tapete persa do século 19 e o cobiçado título de baronato. Mas por que se desfazer de tudo isso? São três os motivos, de acordo com o próprio barão. "Primeiro, a falta de dinheiro", afirma, sem aceitar entrar em mais detalhes sobre a situação financeira. Outra razão é o fato de ele acreditar ter sido muito roubado aqui no Brasil, por contadores e empresários com quem manteve negócios. O último é o mais prosaico dos motivos: "Gosto muito dos móveis e objetos de minha família, mas está um pouco apertado lá em casa." Apertado? Qual o tamanho de sua casa, barão? "É uma casa normal." Normal de que tamanho? "Não gosto de falar sobre isso." A discrição, aliás, é uma das marcas de Cyril. Ele admite que trocou a Europa pelo Brasil em busca do anonimato. "É pesado carregar o meu sobrenome." No século 18, sua família fundou, na Alemanha, o Banco Rothschild, uma das instituições responsáveis pela consolidação do sistema financeiro moderno. Cyril nunca é visto em badalações, mantém uma vida reservada e não aparece em colunas sociais. Sempre gostou de estudar relacionamentos. "Meu pai me deserdou porque eu preferi cursar Psicologia em vez de me tornar banqueiro", conta. Em 1990, vivia em Paris, onde tinha uma agência de matrimônios. Conheceu a paulistana Márcia Marcelino e se mudou com ela para cá. Foi responsável por lançá-la na TV, já com o nome de Márcia Goldschmidt. Separaram-se tempos depois. Desde 2005, é casado com a jornalista Carla Pisaroglo - grávida da primeira filha dele. Como se conheceram? "Pela internet. Eu estava estudando as agências virtuais de relacionamento." O próximo projeto do barão terá a ajuda da jornalista. Será uma revista, que ele quer lançar em setembro, para tratar de seu tema prefeito: relacionamentos amorosos. O sucesso do leilão dará fôlego financeiro para que a empreitada saia do papel. "Serão desde peças que não têm lance mínimo, como um par de copos de estanho, até outras cujo valor-base nem posso divulgar por segurança", diz a leiloeira Milu Molfi. Entre essas, o cobiçado título de baronato, outorgado em 1907 por Wilhelm II, último kaiser alemão, ao bisavô de Cyril. R$ 500 MIL Apesar do esforço da leiloeira para vender o título de barão, nenhum dos cerca de 70 participantes deu o lance mínimo de R$ 500 mil - o valor provocou espanto na platéia -, por volta das 23h15 de ontem. "Essa peça não tem valor, porque é única", disse Milu, ao anunciar o título. A leiloeira afirmou que, caso não seja vendida no Brasil, a peça será negociada por uma grande casa de leilões na Europa. A peça mais cara negociada até as 23h30 de ontem foi um centro de mesa de cristal, arrematado por R$ 5,8 mil. Cyril não compareceu: ficou cuidando da esposa.

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