Pedágio no Rodoanel causa filas e pega motoristas de surpresa

Cerca de 200 mil pessoas pagaram a tarifa; funcionários chegaram a ir até carros para cobrar

Mônica Cardoso e Daniela do Canto, O Estadao de S.Paulo

18 de dezembro de 2008 | 00h00

Às 8 horas da manhã do primeiro dia de cobrança de pedágio nas saídas do Rodoanel Metropolitano Mário Covas, uma fila de veículos se formou na praça que fica no acesso à Marginal da Castello Branco, sentido Alphaville-Tamboré. "Muitos motoristas não sabiam do início da cobrança", disse mais tarde Carlos Costa, gestor de arrecadação da concessionária RodoAnel, que administra o trecho oeste. Para evitar congestionamentos, funcionários trabalharam como papa-filas: com uma caixa amarrada ao corpo, iam de carro em carro para agilizar a cobrança. Quando chegava a vez, o motorista apenas entregava o comprovante ao funcionário da cabine. Cerca de 200 mil veículos pagaram pedágio, que começou a ser cobrado à zero hora de ontem. A tarifa é de R$ 1,20 para carros de passeio. Ônibus e caminhões pagam o mesmo valor, por eixo. Com R$ 0,50 no bolso, o supervisor de segurança Marco Antônio Jorge, de 44 anos, teve um imprevisto à 0h05, ao voltar para casa. Embora passe pelo Rodoanel diariamente, ele esqueceu do início da cobrança do pedágio. Quando percebeu que não tinha dinheiro, já estava na cabine na praça de Perus. Para ir embora, Jorge pediu a um amigo que levasse o dinheiro até o local. Mesmo tendo de pagar o pedágio todos os dias, ele aprova a cobrança. "Se for para melhorar (a condição da estrada), acho bom."O caminhoneiro Alceu Messias do Amaral, de 56, discorda. Ele transporta gás de cozinha para as cidades de Cotia, Caieiras e Franco da Rocha. "A tarifa é R$ 1,20, mas o caminhão tem quatro eixos, o que representa R$ 4,80 a serem pagos cada vez que eu sair do Rodoanel. O (governador Mário) Covas prometeu que não haveria pedágio no Rodoanel".O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) entregou panfletos contra a cobrança de pedágio em uma das praças do Rodoanel. Ele é o autor do projeto de lei para anular o decreto do governador José Serra (PSDB), que implantou a taxa. "A cobrança de pedágio urbano municipal é inconstitucional. A legislação 2481/53 proíbe a instalação de pedágios num raio de 35 km a partir do marco zero de São Paulo, que é a Praça da Sé", diz. Segundo Gianazzi, o pagamento da tarifa vai gerar um efeito dominó, pois o valor deverá ser incorporado no preço do frete e das mercadorias . "Essa taxa vai encarecer o preço do frete, principalmente para o caminhoneiro autônomo", confirma o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo, Francisco Pelucio. "Os caminhões de entrega que circulam na Grande São Paulo serão os mais prejudicados." Segundo ele, a ausência de filas no resto do dia mostrou que muitos motoristas procuraram rotas alternativas nos bairros para fugir do pedágio. O consultor de engenharia urbana Luiz Célio Bottura, porém, acredita que filas no Rodoanel como as do início da manhã vão continuar. "As intersecções com as rodovias foram mal projetadas, causando filas muito antes das praças de pedágio. É o caso das Marginais, onde o problema está nas pontes de acesso."CABINES DESLOCADASAs cabines de pedágio do km 26 da Rodovia dos Imigrantes serão deslocadas para o km 24, a partir de zero hora de domingo. A mudança foi necessária para dar prosseguimento às obras do trecho sul do Rodoanel. A obra completa deve ser concluída em março de 2010.Desde ontem, 30 mil folhetos são distribuídos nas cabines de pedágio da Imigrantes, informando a nova localização da praça. Faixas de orientação também serão colocadas nas passarelas e nos acessos de saída para Jardim Represa, Estrada Galvão Bueno e Avenida Venâncio Tomás de Aquino. Nos km 23 e 27 da rodovia, há painéis eletrônicos informando a mudança.

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