Pedágio urbano deve ser usado só na melhoria do transporte

Especialistas discutiram por dois dias os problemas de trânsito enfrentados nos grandes centros urbanos

Ariel Palacios, correspondente de O Estado de S.Paulo,

01 Abril 2008 | 21h38

A reunião de Cúpula de Rodovias Pedagiadas das Américas, que reúne as principais empresas e entidades administradoras de rodovias, pontes e túneis concedidos, discutiu durante dois dias na capital argentina os problemas de trânsito e congestionamento nas grandes cidades. Os especialistas que participaram do evento destacaram que a arrecadação obtida com os pedágios deve ser usada pelos Estados exclusivamente para a melhoria do sistema de transporte e a qualidade de vida urbana.   "Não dá para usar o dinheiro que o cidadão paga como pedágio para a compra de novos ternos para um presidente da República ou móveis do palácio presidencial, nem hospitais ou escolas... Esse dinheiro deve ser usado exclusivamente para a melhoria do transporte", afirmou com ironia José Luis Moscovich, diretor-executivo da Autoridade de Transporte do Condado de São Francisco, Estados Unidos.   Segundo Moscovich, o contribuinte precisa ver que o dinheiro que paga como pedágio urbano retorna à sua cidade na forma de melhores pontes, um sistema de ônibus mais rápido e menos congestionamento de automóveis. "O cidadão precisa confiar de novo no governo!", afirma. Com estes fundos, explica, junto com ajuda do governo federal, San Francisco ampliará e modernizará seus acessos à cidade nos próximos anos (a cidade é a segunda nos EUA com problemas de congestionamento).   O especialista sustenta que torna-se politicamente difícil para os governos aplicarem aumentos nos impostos sobre combustíveis para que os fundos arrecadados sejam direcionados à melhoria do transporte, já que o custo acaba sendo inviável. "Se fossem aplicar aumentos para o combustível, para arrecadar mais para as obras de transporte, o governo teria que passar dos atuais US$ 0,30 para US$ 3,00 nesses tributos. É menos complicado aplicar pedágios para a entrada no centro da cidade...".   "Impostos sobre combustíveis, pedágios...são sempre coisas abominadas pelos contribuintes", afirma Kristian Waersted, engenheiro-chefe do Departamento de Estradas Públicas da Noruega. "Sempre serão um assunto impopular, visto de forma negativa...mas, essa impopularidade cai quando você mostra às pessoas que esse dinheiro é gasto na melhoria do sistema de transporte". Em Oslo, capital norueguesa, em 1989, 70% dos habitantes tinham uma imagem negativa dos pedágios urbanos. Mas, em 2006, a proporção havia caído para 51%. "Isso ocorreu porque as pessoas viram que seu dinheiro estava sendo bem usado".   Os especialistas também citaram o caso de Singapura, cidade que praticamente ocupa toda a superfície da ilha sobre a qual foi fundada, em pleno sudeste asiático, conta com um sistema de túneis rodoviários, que desafoga o trânsito na superfície. O Estado-cidade, para dissuadir os congestionamentos, só permitiu um aumento de 3% no número de automóveis que por ali trafegam.   Os especialistas também referiram-se aos problemas de Buenos Aires, cidade que há 50 anos possuía um fluxo de passageiros em trens e metrôs maior do que atualmente.

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