Pedestre morre ao cruzar Rodoanel por "túnel"

A morte de Walace da Silva Machado, de 10 anos, ontem à tarde, expôs o que deve ser um dos principais problemas do trecho oeste do Rodoanel, inteiramente aberto ao tráfego no sábado: pedestres e vizinhos. Segundo a empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), os moradores do Parque Imperial, em São Paulo, cavaram uma passagem sob o muro de concreto que separa o Rodoanel da favela de Osasco. Walace usava a passagem quando uma das placas de concreto se desprendeu e o atingiu na cabeça. O local do acidente fica na parte recém-inaugurada, entre as Rodovias Anhangüera e Raposo Tavares.Na tarde de hoje, era grande o número de pedestres no acostamento do Rodoanel, ou cruzando as oito pistas. Muitos sentavam-se nos taludes para ver o movimento. "Só em 2 horas, localizamos 62 pessoas caminhando por ali. Tivemos de deslocar carros de socorro de veículos para alertá-las sobre o perigo", disse o diretor de Operações do Dersa, Valter Antonio da Rocha.Três adolescentes usavam o acostamento hoje para ir do Jardim Conceição, em Osasco, até um riozinho que fica a 45 minutos de caminhada. "Não tem perigo, não", afirmou um deles.Rocha reconheceu a dificuldade de impedir o acesso. "Usamos arame, bloco e placas de concreto e sempre tem trechos destruídos pelos moradores." Há apenas duas passarelas provisórias, de ferro, no trecho de 18 quilômetros que começou a ser usado pelos motoristas no sábado. "A previsão é ter mais cinco no Rodoanel, e duas na Raposo Tavares." A falta de passarelas foi criticada pela Prefeitura, na quinta-feira.Hoje, primeiro dia útil da parte recém-inaugurada, passaram 22 mil veículos pelo local, entre zero e 17 horas. A previsão era que passariam por todo o trecho oeste - da Régis Bitencourt até a Estrada Velha de Campinas -, 33 mil veículos entre a zero hora e a meia-noite.

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