''Pedi a ele um par de tênis. E ele deu''

Adão Ferreira, 47, o primeiro da fila no velório

Alfredo Junqueira, O Estado de S.Paulo

04 Julho 2011 | 00h00

Adão de Assis Ferreira, 47 anos, foi o primeiro a chegar na fila para o velório do ex-presidente Itamar Franco. Não fazia questão da primazia, queria só se despedir do político que lhe deu seu primeiro par de tênis quando ainda era criança. Adão tinha 10 anos quando Itamar elegeu-se para o Senado pela primeira vez. Era apenas criança, mas vivia correndo com as bandeiras do então candidato e ex-prefeito de Juiz de Fora. "Simpatizei por ele depois de um showmício. Pegava suas bandeiras e fazia campanha sem nem conhecê-lo", conta. "Um dia, no palanque, pedi para ele o tênis. Nunca tinha ganhado nenhum. E ele me deu. Fico muito emocionado. Era um homem que eu admirava muito", diz Adão.

Duas senhoras vindas do Rio de Janeiro para participar do velório também se sentiam muito gratas a Itamar. O ex-presidente não lhes havia dado presentes, mas devolvido seus empregos. A auditora Sarah Land, 69, e a economista Lídice Meirelles, 67, fazem parte do contingente de mais de 450 mil servidores demitidos do governo federal durante a gestão de Fernando Collor de Mello. Apresentaram-se no velório como representantes dos anistiados da Lei n.º 8.878, de 1994, surgida a partir de medida provisória assinada pelo então presidente Itamar.

"Vim especialmente para ver essa alma santa. Ele é como um parente que nós perdemos", disse, entre lágrimas, Sarah. "Um homem muito íntegro em suas posições e que foi rápido para nos ajudar", atestou Lídice. Mesmo com a iniciativa de Itamar, as duas levaram 20 anos para ser reintegradas ao serviço público.

O aposentado Walter Assis, 55, veio apoiado numa bengala para se despedir de Itamar. Ele participou de obras realizadas pelo então prefeito de Juiz de Fora no fim dos anos 60. "Fiz parte da construção da rede de tubulação de água daqui da cidade. Foi um grande administrador. Prefeito, governador e presidente da República. Um político que vai deixar saudades. Algo muito raro hoje em dia", afirmou.

Milhares de pessoas passaram pela Câmara Municipal até o início da noite.

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