'Pedi ajuda para o Maurício Manduca enquanto amigo e cunhado'

ENTREVISTA

, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2010 | 00h00

Chico Uejo, deputado estadual de Minas

O deputado estadual Chico Uejo (PSB-MG), apontado como um dos políticos que davam suporte à quadrilha, nega vínculo com as empresas de José Carlos Cepera. Ele diz que sua única relação com o escândalo se deve ao fato de ser cunhado do lobista Maurício Manduca. Sobre depósitos de R$ 40 mil feitos pelo grupo de Cepera em sua conta, o deputado diz se tratar de empréstimos.

Qual a relação do sr. com o governador Gaguim?

Ano passado, não me lembro quando, conheci o governador, coisa de cumprimentar. A única relação minha com esse caso é o fato de ser cunhado do Maurício Manduca. Cunhado e amigo. As coisas foram misturadas. No ano passado conheci um pessoal, o Tibério, que inclusive é aposentado da Usiminas. O Tibério, da São Bernardo Mineração, me apresentou o projeto de mineração no Tocantins e, para que fosse viável, faltava uma infinidade de coisas. Tinha de melhorar o projeto e buscar investidores. Em fevereiro, chamei o meu cunhado, apresentei o projeto e ele ficou muito animado. O Tibério me passou procuração e eu tinha 120 dias para trabalhar esse projeto. Procuramos órgãos do Tocantins para saber quais os planos do Estado, para as eclusas e as obras de infraestrutura para fazer o projeto andar. Quando o governador tomou conhecimento do projeto, ele se mostrou muito receptivo e falou que iria dar suporte. Mas como não conseguimos investidores, houve o distrato e pronto.

O Manduca diz que vocês iam "fazer um bilhão". O que isso quer dizer?

Ouvi o Maurício falar isso uma vez. Fazer R$ 1 bilhão seria com esse contrato. Basta você somar. O projeto era extrair 100 milhões de toneladas de ferro por 50 anos. A tonelada de ferro colocado na China custa US$ 120 a tonelada. Não tem nada de errado nisso, é legítimo ter um negócio.

O sr. intercedeu junto à ministra Cármen Lúcia em favor das empresas de Cepera?

No ano passado o Maurício estava muito entusiasmado com uma licitação lançada pelo governo do Tocantins. Ele participou do processo licitatório e a empresa deles ganhou. Ele tinha a expectativa de começar a trabalhar, mas o contrato não era executado. O Maurício tinha uma amizade muito grande com o Duda, cunhado do governador, e tentou resolver isso com a ajuda dele. No dia da Fórmula Indy eu estive com o governador para tratar sobre a questão da mineração e o Maurício tocou no assunto do contrato com ele. O Gaguim disse que não tinha tempo para conversar e que iria contratar (o pessoal de Cepera) na medida da necessidade. Eram sempre essas respostas evasivas.

O sr. recebeu mesada de R$ 40 mil das empresas de Cepera?

Não tem isso. Passei dificuldades financeiras o ano passado e neste ano. Cheguei a pensar em desistir da minha candidatura porque não tenho quem me financie, você pode ver na minha prestação de contas. Pedi ajuda para o Maurício enquanto amigo e cunhado. Nunca perguntei para ele de onde o dinheiro vinha. Cheguei para ele comprar a minha chácara em São Gotardo (MG) para me ajudar aí ele foi lá e depositou esse dinheiro. / F.M. e B.T.

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