Pediatra é indiciado por atentado violento ao pudor

O pediatra Eugenio Chipkevitch, acusado de molestar sexualmente seus pacientes, foi indiciado formalmente hoje por atentado violento ao pudor pelo titular do 51.º Distrito Policial, Virgílio Guerreiro Neto, que investiga o caso. Se for condenado, o médico pode pegar de 6 a 10 anos de prisão, por vítima.Chipkevitch deveria depor hoje, mas se recusou a fazê-lo. Orientado por seus advogados, ele fez uso do direito constitucional de falar apenas perante um juiz. "Eu esperava que nos ajudasse a identificar as vítimas, mas ele não quis", contou Guerreiro Neto, depois do interrogatório.O delegado também tentou fazer o pediatra assistir às fitas com cenas de abuso, gravadas pelo próprio acusado. "Ele também se recusou a fazer isso. Disse que não veria as fitas, e virou os olhos para o chão."O depoimento estava marcado para as 14 horas, mas o acusado chegou ao 51º às 9h30. Guerreiro explicou que resolveu levar o médico do 13° DP, onde ele está preso provisoriamente, antes do horário, para evitar tumultos. No caminho, passou por exame no Instituto Médico-Legal (IML), um procedimento de rotina em caso de transferência. Acompanharam o interrogatório os advogados de Chipkevitch, Paulo Sérgio Leite Fernandes e Otávio Augusto Rossi Vieira, e o promotor José Carlos Blat, do Grupo de Atuação contra o Crime Organizado (Gaeco).Depois do interrogatório, que não durou mais de meia hora, Fernandes negou que tivesse orientado seu cliente a não falar, mas admitiu que a atitude ajuda o pediatra. "É melhor ele falar na Justiça, quando estiver calmo." Ele também afirmou que não considera as fitas como provas. "São apenas indícios."Para Blat, porém, o material é suficiente para denunciar Chipkevitch. O promotor passou 15 horas numa sala de edição de vídeo, digitalizando as imagens das 35 fitas. Ele congelou 47 imagens de cerca de 30 vítimas, das quais apenas o rosto foi deixado visível, e as gravou em CD-ROM e disquetes. "A idéia é que as famílias levem essas imagens para casa para a identificação."Segundo Blat, Chipkevitch também pode ser enquadrado no artigo 240 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê pena de 1 a 4 anos para quem filmar crianças praticando sexo explícito, ou participar dessas filmagens.

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