Pedida apuração de crimes políticos no Pará

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados vai encaminhar pedido de providências ao presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, aos ministros da Justiça, José Gregori, e do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, para que sejam apurados sete assassinatos supostamente de encomenda praticados no sul do Pará envolvendo a luta pela posse da terra.As vítimas eram líderes sindicais e organizadores de ocupações de fazenda ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).Quatro representantes da Comissão - os deputados Nélson Pellegrino (PT-BA), Socorro Gomes (PC do B-PA) e João Batista Araújo Babá (PT-PA) - e um observador da Ordem dos Advogados do Brasil e membro do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Ministério da Justiça, Percílio Souza, ouviram em Marabá e Altamira (PA), no último final de semana, relatos impressionantes de viúvas e filhos das vítimas.As maiores críticas recaíram sobre a Polícia Civil, acusada de omissão nas investigações sobre os crimes. Nenhum dos supostos mandantes dos assasinatos foi indiciado ou preso.Além das mortes, sindicalistas denunciaram a existência de uma lista com 27 nomes de pessoas que estariam marcadas para morrer. "O clima de impunidade no Estado e de conivência da polícia com os grandes fazendeiros faz com que esses crimes sejam engavetados", afirma o deputado Babá.Os outros deputados informaram ao Estado que uma audiência marcada com o governador Almir Gabriel (PSDB) foi cancelada sem nenhuma explicação.O secretário de Defesa Social do Pará, Paulo Sette Câmara, será convidado a falar em Brasília sobre as investigações para punir os culpados.Um dossiê sobre a violência no Pará deverá ser encaminhado à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA), onde o Estado já foi condenado por violação de direitos humanos em casos semelhantes.O governador Almir Gabriel não foi encontrado para falar sobre o assunto. O secretário Sette Câmara disse que a polícia nunca deixou de apurar nenhuma denúncia feita pelos movimentos sociais do Estado.

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