Pedida prorrogação da prisão preventiva dos 11 militares

Pedido foi feito para evitar que sete envolvidos na entrega de jovens da Providência sejam soltos

Marcelo Auler, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2008 | 20h02

Para evitar que sete militares do Exército envolvidos na entrega de três jovens aos traficantes do Morro da Mineira sejam soltos nesta quarta-feira quatro procuradores da República apresentaram na noite desta terça-feira, 24, ao juiz federal da 7ª Vara Criminal, Marcelo Granado, o pedido de prisão preventiva dos onze envolvidos no caso. Todos estão presos temporariamente - por dez dias - desde o dia 15, por decisão do juiz Sidnei Rosa, do 3º Tribunal do Júri estadual. Veja também:Polícia diz ter identificado assassinos dos jovens da ProvidênciaCom obras embargadas, Exército deixa Morro da ProvidênciaJustiça Eleitoral embarga obras no Morro da ProvidênciaCrivela lamenta 'contaminação política' de obras na ProvidênciaAssassinos de jovens podem ter deixado morro Opine: o Exército pode cuidar da segurança pública?   Quatro dos envolvidos - o 2.º tenente Vinicius Ghidetti de Moraes Andrade, do 3.º sargento Leandro Maia Bueno, e dos soldados José Ricardo Rodrigues de Araújo e Fabiano Eloi dos Santos - também estão presos preventivamente por decisão da 2ª Auditoria Militar. Para que os outros sete militares não sejam soltos antes dos procuradores da República analisarem o inquérito, o pedido de prisão temporária feito pelo delegado Ricardo Domingues foi endossado às pressas nesta noite.  O caso tramitava no 3º Tribunal do Júri estadual. Lá o promotor Marcos Kac chegou a apresentar denúncia contra os onze militares, mas o juiz Rosa entendeu que a competência é da Justiça Federal. Nesta terça, ele encaminhou os autos para seu colega da Granado. Mas, somente à noite é que os procuradores receberam toda a papelada para analisarem o caso pela primeira vez.  A procuradora da República Patrícia Maria Castro Núñes Weber suspendeu suas férias por o processo ter sido distribuído ao seu gabinete. Ela decidiu atuar em conjunto com os outros dois procuradores da 7ª Vara - Fábio de Lucca Seghese e Neide Mara Cavalcanti Cardoso de Oliveira -, além de José Augusto Simões Vagos. Ele e Neide Oliveira solicitaram ao juízo da 7ª vara que o caso tramitasse na Justiça Federal por envolver servidores federais.  Os procuradores entenderam que o mais urgente era garantir a manutenção dos militares presos até que, no prazo de cinco dias, examinem o inquérito e decidam se retificarão a denúncia do promotor estadual. Ele propôs que os onze militares respondam pelo crime de homicídio triplamente qualificado. Os procuradores podem concordar e assinar embaixo ou modificar a denuncia, apresentando uma nova. Não será surpresa se, depois de apresentarem a denúncia, eles pedirem a libertação dos sete militares que não tiveram a prisão preventiva decretada na Auditoria Militar. Há um certo entendimento de que a responsabilidade maior foi do tenente Ghidetti, do sargento Maia e do soldado Fabiano que desceram do caminhão com os jovens e os entregaram aos traficantes, assim como do soldado Rodrigues, que dirigiu o caminhão até o morro da Mineira.

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