Pedida quebra de sigilo de 27 policiais de São Paulo

Policiais civis são suspeitos de receber propina da máfia dos caça-níqueis

Agencia Estado

15 de junho de 2007 | 02h51

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo vai pedir a quebra dos sigilos bancários e fiscal de 27 policiais e peritos suspeitos de receberem propina da máfia dos caça-níqueis. A iniciativa foi tomada um dia depois da divulgação de escutas feitas pela Polícia Federal, que confirmam que o advogado Jamil Chokr levava dinheiro para subornar policiais civis da capital quando sofreu um acidente de carro, no dia 25. A decisão de reagir às denúncias foi tomada na manhã de quarta-feira, 14, durante reunião de rotina do Conselho da Polícia Civil."Vai ser quebrado o sigilo bancário, fiscal e telefônico de cada um dos investigados. Se forem comprovadas as suspeitas, eles serão afastados, demitidos e presos", afirmou o diretor da corregedoria, Francisco Alberto de Campos. Os nomes dos policiais investigados estavam em uma lista apreendida com Chokr. A maioria é de investigadores-chefes de distritos policiais. Suspeita-se que eles recebiam dinheiro para permitir o funcionamento de caça-níqueis.A corregedoria vai investigar mais duas listas. Uma delas tem 90 números de telefones das agendas do advogado e a outra, 200 nomes achados em documentos de Chokr. "Não sabemos se entre essas pessoas há outros policiais", disse a delegada da corregedoria Cíntia Maria Quaggio.Os 27 policiais foram convocados a depor a partir da semana que vem. Cíntia ouviu ontem uma escrivã do 9º DP, em mais um depoimento para tentar comprovar a legalidade da apreensão do material achado por policiais militares com o advogado depois do acidente.No dia 25, um motociclista tentou roubar o advogado. Ao fugir, Chokr bateu seu Vectra na Marginal do Tietê. PMs que o socorreram acharam no carro R$ 27 mil e envelopes com números ordinais iguais aos de 29 delegacias seccionais e DPs da cidade. Havia ainda bilhetinhos nos envelopes com pedidos destinados aos policiais, tais como "parem de bater".Horas depois da apreensão do material com Chokr, membros da máfia do caça-níquel foram flagrados pela PF conversando sobre o caso. Não sabiam que estavam sendo monitorados pelos federais nas investigações que levaram à Operação Xeque-Mate, no dia 4. Entre eles estava o empresário Raimondo Romano, que confirmou nos diálogos a existência do esquema de propina e disse que Chokr enganava policiais, arrecadando com donos de caça-níqueis mais do que repassava como suborno.Para o promotor Luiz Antônio Nusdeo, do Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gecep), os grampos feitos pela PF são "novos elementos de prova do esquema de propina". O Gecep quer saber o que liga os investigados pela PF a Chokr. O advogado depôs e negou as acusações. Teve alta do hospital no dia 6 e se recusa a comentar o caso. Ninguém foi indiciado no inquérito da corregedoria até agora.

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