Pedido de tropas para o Rio é `desespero´, diz FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso mostrou-se nesta sexta-feira, 13, contrário ao emprego das Forças Armadas no combate direto ao crime, proposta que será discutida na próxima segunda entre o governo do Rio, os ministérios da Justiça e da Defesa e os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica. "Acho que as Forças Armadas não são treinadas para o combate à criminalidade urbana", ressaltou. "Entendo o grito de desespero do governador (Sérgio Cabral Filho , do PMDB, que pediu ajuda militar para o Estado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva) para chamar a atenção, mas não é tarefa para a qual sejam o instrumento mais adequado", afirmou. FHC ressaltou não ser especialista na matéria, mas disse que muitas medidas diferentes são necessárias para enfrentar o problema. "Tem que ter um conjunto de ações coordenadas, que o governador está tratando de organizar", disse. "Tem aqui gente que eu conheço trabalhando nesta matéria, para saber onde se pratica o crime, qual é a freqüência dele, quais são os envolvidos." Fernando Henrique deu entrevista após fazer a palestra de encerramento do seminário "A reinvenção do futuro das grandes metrópoles e a nova agenda de desenvolvimento econômico e social da América Latina", na sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro. O ex-presidente elogiou a iniciativa dos governos do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais de estabelecer cooperação na área criminal. "Vão ter que convergir para um programa sistemático, não se resolve do dia para a noite, nem com um gesto assim heróico, é uma questão do dia-a-dia, de disciplina, de rotina", afirmou. "Acho que nós atrasamos muito. Digo nós e me incluo, porque não gosto de ficar criticando assim a esmo, atrasamos muito o fato de que isto é urgência urgentíssima." Força Nacional Quase três meses depois da chegada da Força Nacional de Segurança (FNS) ao Rio, ainda não foi divulgado um balanço de ações. A Secretaria de Segurança alega que a falta de números serve para evitar que a ação se transforme em um ?espetáculo?. Atuando no Estado desde 20 de janeiro, a força tem cerca de 400 policiais no Estado, cumprindo duas funções principais: o patrulhamento das divisas (com 170 homens, para coibir a entrada de armas e de drogas) e de áreas críticas da zona norte da capital. O reforço de mil homens foi anunciado, mas não se concretizou. Os resultados mais visíveis são as apreensões de 300 quilos de maconha na Via Dutra; de cem munições para fuzil, também na Dutra, com um sargento do Exército; de 3 quilos de crack, na mesma rodovia; e de 5 quilos de cocaína em Paraíba do Sul - todas no fim de março. No início de abril, como parte da ação integrada, PMs apreenderam 2 toneladas de maconha na BR-101, em Conceição de Jacareí. Colaborou Rodrigo Morais Matéria ampliada às 18h20

Agencia Estado,

13 Abril 2007 | 14h59

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