Pedreiro lembra nome depois de 6 anos e reencontra família

O último dia do ano de 1997 foi trágico para o pedreiro Amauri Calixto, hoje com 35 anos. Ele procurava emprego em Curitiba, quando foi atropelado às margens da BR-116. Recolhido pelo serviço de resgate dos bombeiros, foi levado ao Hospital Cajuru. Sem documentos, com traumatismo craniano e inconsciente passou a ser chamado de NI (não identificado). Passou um tempo na UTI, sofreu várias cirurgias, perdeu a memória, a fala e vários movimentos. O hospital o "adotou". Exercícios diários tentavam fazê-lo lembrar-se do passado e falar.A surpresa aconteceu em 30 de setembro. Enquanto um funcionário dava-lhe banho, Calixto balbuciou o nome e a cidade de onde viera: Lages (SC). Daí em diante, o trabalho ficou mais fácil para as assistentes sociais, que conseguiram localizar os familiares do pedreiro. Nesta quinta-feira, mesmo com dificuldades na fala e movimentos restritos, ele voltou para casa. "É uma alegria para nós", afirmou a irmã Rosalba. "Demos como desaparecido, pensamos até que tinha morrido."Para os funcionários do hospital, Calixto voltar a falar e lembrar-se exatamente do que eles precisavam para manter contato com a família foi uma surpresa. "Esse caso é único", disse a fonoaudióloga Beatriz Alves de Souza. "NI pode ser também Nada é Impossível." Calixto tem cinco irmãos e é separado da mulher com quem teve dois filhos. Mas nem tudo será alegria. Ao chegar em casa, sentirá a falta do filho mais novo, de 7 anos. Como ele, o menino foi atropelado há cerca de um ano. Não teve a mesma sorte e está morto.

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