Pedreiro nega invasão e irrita defesa de casal

Depoimento de testemunha que trabalhava atrás de residencial enfraquece uma das principais teses dos Nardonis

José Dacauaziliquá e Carolina Freitas, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2008 | 00h00

Uma das principais teses da defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá - a de que o Residencial London, na Vila Isolina Mazzei, zona norte de São Paulo, foi invadido na noite do crime - começou a perder força ontem, após o depoimento do pedreiro Gabriel Santos Neto. Ele negou que a obra, atrás do prédio do qual Isabella Nardoni, de 5 anos, foi jogada da janela do 6º andar em 29 de março deste ano, tenha sido arrombada. Conheça a cronologia da apuração e as versões para o que aconteceuO pedreiro e duas testemunhas prestaram depoimento, ontem à tarde, no Fórum de Santana. Santos Neto foi convocado a depor pelo trio de advogados do casal por supostas declarações, ao jornal Folha de S. Paulo, de que a obra na qual trabalha teria sido invadida. Anteriormente, durante a fase do inquérito policial, Neto foi convocado pela polícia a depor. Nessa oportunidade, ele negou também a invasão.Ao juiz Maurício Fossen, responsável pelo processo da morte de Isabella, o pedreiro voltou a negar a invasão e acrescentou que não deu entrevista ao jornal. Falou que de segunda a sexta-feira trabalha e dorme na obra. E passa os fins de semana na casa da filha. "Ele mentiu fragorosamente, de forma descarada. Nós temos a cópia da fita, que passará por uma perícia. Temos aqui um crime de falso testemunho, que será apreciado pelo juiz em momento oportuno", disse o principal advogado do casal, Marco Polo Levorin.Os advogados de defesa pediram a abertura de um inquérito para apurar o crime de falso testemunho. Mas o magistrado decidiu não avaliar o pedido nessa fase do processo. Para o promotor do caso, Francisco Cembranelli, a defesa é que tentou acusar o pedreiro Gabriel do Santos Neto, de 46 anos. "Lamentavelmente eles tentam escolher o suspeito ideal, que é o pobre", disse.Cembranelli ainda minimizou a questão da gravação. O promotor duvida até de quem são as vozes na fita. "É prematuro dizer qualquer coisa sobre esse material."A segunda testemunha da defesa a prestar depoimento foi a enfermeira Christiane de Brito, que mora próximo do prédio. Ela contou que, por volta da meia-noite, escutou um barulho forte. Pensou ter vindo da construção. E soube do crime no dia seguinte.

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