Pedreiro que matou 6 em Luziânia (GO) pode ter tido colaboração

Pedreiro que matou 6 em Luziânia (GO) pode ter tido colaboração

Hipótese é considerada pela polícia em decorrência da dificuldade que uma pessoa sozinha teria para cometer os assassinatos

Vannildo Mendes, Agência Estado

11 de abril de 2010 | 17h13

A polícia já trabalha com a possibilidade de o pedreiro Admar de Jesus, de 40 anos, que confessou no sábado, 10, ter matado seis adolescentes em Luziânia (GO), ter tido colaboração para realizar o crime. A hipótese está sendo aventada pela Polícia Federal e pela Polícia Civil de Goiás, que trabalham juntas no caso, porque, pelo que se conhece dos assassinatos até agora, seria difícil para uma só pessoa matar, arrastar e enterrar as vítimas em local de difícil acesso. Os corpos dos meninos foram encontrados na periferia de Luziânia, em uma mata próxima a um córrego.

 

Além disso, a polícia também não descarta a ajuda porque Jesus teria distribuído pertences das vítimas, como celulares e bicicletas, a parentes e amigos. Foi, aliás, por conta de um celular de um dos garotos que o assassino confesso deu a irmã que ele acabou sendo capturado. A polícia rastreou o número desse celular e fez campana por 10 dias nas regiões onde morava e frequentava o pedreiro. Além de Jesus, outras três pessoas de sua relação pessoal estão detidas: uma irmã, um amigo e um conhecido. A prisão foi ontem à noite, quando ele também confessou o crime e indicou o lugar onde estariam dois dos corpos.

 

Na manhã deste domingo, 11, com a indicação do pedreiro, a polícia localizou os demais quatro corpos dos meninos, que estavam desaparecidos entre 30 de dezembro do ano passado e 23 de janeiro deste ano. A decomposição dos corpos já está em estado avançado e, por isso, a perícia está fazendo a necropsia para garantir a identificação exata de cada um deles. Alguns deverão ser submetidos a testes de DNA para haver a confirmação da identidade. Apenas um dos corpos estava mais preservado porque foi enterrado na margem do córrego, e a lama, segundo especialistas, teria ajudado na preservação.

 

Jesus já prestou o primeiro depoimento à polícia, mas o documento ainda não foi divulgado. O que se sabe até o momento é que ele estava em liberdade condicional. Condenado por pedofilia, cumpriu quatro anos de pena no Presídio da Papuda, em Brasília. Ele foi solto em dezembro e, uma semana depois, teria começado o assassinato em série dos adolescentes que tinham entre 13 e 19 anos.

 

O pedreiro está sendo tratado como um monstro pela população local. Houve ameaça de linchamento e, por isso, ele foi transferido para Goiânia, onde ficará à disposição da polícia. "Não é um ser humano. É uma pessoa demoníaca", disse a mãe de Flávio Augusto dos Santos, de 14 anos, Valdirene Fernandes dos Santos. "Como ele, deve haver outros à solta. A luta não termina aqui, vamos continuar essa luta para que outras mães não passem pelo mesmo sofrimento", acrescentou, emocionada, após visitar o Instituto Médico Legal (IML) de Luziânia.

 

Chegou neste domingo à cidade uma comitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de crianças e desaparecidos da Câmara dos deputados, integrada pela deputada Bel Mesquita (PMDB-PA), presidente da comissão, e pelo deputado Geraldo Pudim (PR-RJ).  

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