Pedrinho diz que sua mãe adotiva é inocente

O adolescente Osvaldo Borges Júnior, o Pedrinho, seqüestrado há 16 anos em uma maternidade de Brasília, afirmou nesta quinta-feira que sua mãe adotiva, Vilma Martins Costa, não foi responsável por seu seqüestro.Pedrinho conversou demoradamente com ela na manhã desta quinta-feira, depois de Vilma ter sido acusada pela polícia de Brasília de ser a autora do crime. ?Eu olhei nos olhos dela, e ela nos meus, e vi que era inocente?, disse Pedrinho.O advogado da família, Ezízio Alves Barbosa, entrou com um habeas-corpus preventivo para evitar que a mãe adotiva seja presa. Nesta quinta-feira, o dia foi tumultuado na casa de Vilma. Pela manhã, acompanhada de Pedrinho e duas filhas, ela saiu de casa e desapareceu.Familiares, utilizando diversos carros, conseguiram enganar a imprensa, que fazia plantão no local. Pedrinho não foi à escola depois das acusações contra sua mãe adotiva e reclamou da pressão que vem sofrendo. ?Quero voltar à vida normal, quero me divertir?, afirmou o adolescente, que teve problemas inclusive para fazer as provas.Pedrinho e as irmãs adotivas, Cristiane e Roberta, decidiram no final da tarde desta sexta dar uma entrevista coletiva para inocentar a mãe. ?Estou cumprindo meu papel de homem. Todo o tempo ela (Vilma) me defendeu, e eu estou aqui para defendê-la?, afirmou o rapaz, ressaltando que Vilma não está bem de saúde e passou mal pela manhã.?Ela tem problemas de pressão?, disse Cristiane, que criticou a polícia do Distrito Federal, que apura o caso. ?É muito fácil acusar, mas o difícil é provar.? Apesar de tudo, Pedrinho diz que o episódio não se reflete na relação que está tendo com seus pais biológicos, Maria Auxiliadora Rosalino Braule Pinto e Jayro Tapajós.Nesta quarta-feira, o rapaz ligou para Tapajós e pediu a ele que evitasse a investigação em torno de sua mãe adotiva. ?Estão acabando pouco a pouco com nossa mãe. Este é um caso sensível. Estão mexendo com sentimentos?, afirmou Pedrinho.Apesar de a polícia de Brasília não ter decidido se pede ou não a prisão preventiva de Vilma, o advogado da mãe adotiva de Pedrinho resolveu impetrar um habeas-corpus preventivo em favor da mulher. ?É para prevenir, para que as investigações sejam feitas dentro dos trâmites legais?, ressalta o advogado Ezízio Barbosa, que não acredita da decretação da prisão de sua cliente. ?Não há razão para isso?, afirma.Barbosa disse que até agora Vilma não recebeu intimação para depor. Ele reclamou, no entanto, que o delegado Hertz Andrade dos Santos, ao ouvir testemunhas em Goiânia, não notificou o advogado da família. Ele também negou que sua cliente tenha outras duas filhas adotivas, como chegou a ser divulgado em Brasília, mas se confundiu ao falar sobre o fato de Vilma ter mentido anteriormente, ao afirmar que tinha tido Pedrinho em uma maternidade. ?Verdade é uma palavra relativa?, alegou Barbosa.

Agencia Estado,

14 de novembro de 2002 | 21h16

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