Pedro Dias diz ter ficado '9 dias sem ser interrogado'; PF nega

Policia contesta discurso do governador em sua volta ao Amapá: ele teria ficado em silêncio e dito que só fala em juízo

Alcinéa Cavalcante ESPECIAL PARA O ESTADO MACAPÁ, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

O governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), preso na Operação Mãos Limpas no dia 10, disse ontem que, apesar de ter passado nove dias preso na superintendência da Polícia Federal em Brasília, não foi interrogado em nenhum momento. Afirmou ainda que não há comprovação de que tenha cometido irregularidades.

Seu pronunciamento, transmitido pela emissora do governo, foi contestado pela Polícia Federal. Segund0 fontes da PF, ele foi interrogado, mas se recusou a falar, recorrendo ao direito de só dar declarações em juízo.

Candidato à reeleição, o governador e seu antecessor, Waldez Góes, foram presos com mais 16 pessoas no último dia 10. São acusados de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, ocultação de bens, tráfico de influência, fraude em licitações públicas e formação de quadrilha. O esquema, segundo a PF, seria comandado pelo governador e Góes.

"Fiquei nove dias em isolamento forçado, sem o direito de conhecer o processo e de me defender, então voltei para o meu Estado sem ser ouvido", afirmou Dias. Segundo ele, no dia 10 foi acordado às 6 horas com um mandado de prisão e teve a casa vasculhada diante dos filhos. "A quem interessa minha derrocada? Quem se beneficiou?"

Em frente à sede do governo, cerca de 50 pessoas, com carro de som, chamaram Dias de "ladrão", "bandido" e "corrupto". O movimento se dispersou com a prisão de um dos líderes: o enfermeiro Dorinaldo Malafaia, liberado após prestar depoimento. / COLABOROU VANNILDO MENDES

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