Pegada faz polícia esclarecer furtos de R$ 1 milhão

Os investigadores chegaram à sede da segurança do condomínio Alphaville 10, em Barueri, na Grande São Paulo, e abriram os armários do vestiário dos vigias. Estavam atrás de coturnos para confrontar o desenho de seus solados com o de uma bota peculiar: nela havia um corte na sola. A pegada com essa marca foi encontrada dentro de quatro casas furtadas no condomínio. Era a Operação Cinderela. Foi assim que os policiais do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia Seccional de Carapicuíba descobriram os dois seguranças do condomínio, acusados de levar quase R$ 1 milhão em jóias de sete casas.Os crimes começaram em abril. Sempre nos sábados de madrugada, uma casa, cujos proprietários estavam viajando, era invadida. Os ladrões arrombavam janelas ou portas com uma chave de fenda e desligavam a chave da energia. Em seguida, revistavam as gavetas dos closets e fugiam levando jóias, dinheiro e relógios. Roupas e equipamentos eletrônicos não lhes interessavam. Dentro dos imóveis, tinham 36 minutos para agir antes que a outra equipe de ronda chegasse.Sereno - Mas, se a madrugada lhes servia de proteção, foi ela que os denunciou. Isso porque os seguranças, que usavam coturnos, pisavam nos gramados das casas, que nesse horário estava molhado pelo sereno. As pegadas nos assoalhos foram a pista seguida pela polícia. Suspeitava-se de seguranças, moradores ou prestadores de serviços. Ao apanhar os coturnos dos vigias nos armários, os policiais tiraram as impressões de cada um dos solados e as compararam com as da pegada do ladrão, que tinha um corte na sola, feito, provavelmente, por um caco de vidro.Os exames da perícia levaram à bota do subencarregado de segurança Antônio Augusto Turim, de 34 anos, que trabalhava havia oito no condomínio. Ao ser interrogado e confrontado com as provas, ele confessou três furtos. E ainda delatou o vigia Gerson Rodrigues de Souza, de 36 anos, seu subordinado. "Os furtos sempre aconteciam no plantão desses dois", disse o delegado Wagner Lombisani. Segundo ele, o subencarregado chegou a recusar uma promoção com aumento de salário - ele ganhava cerca de R$ 1.600,00 -, mas que o faria trabalhar de dia. Souza, o outro vigia, confessou os mesmos furtos. A polícia, no entanto, os acusa em sete casos. Ontem, eles foram acareados e negaram-se a dar entrevistas.Na casa do subencarregado, os policiais apreenderam um relógio e R$ 10 mil, dinheiro do último lote de jóias vendido pelos dois. Elas haviam sido furtadas em 26 de julho da casa de um empresário e estavam avaliadas em R$ 350 mil. "Com jóias que valiam quase R$ 1 milhão, os dois obtiveram perto de R$ 30 mil", disse o delegado. Acusada de receptar as jóias, a comerciante de ouro Maria Inês Arciero de Menezes, de 44 anos, foi indiciada. Em sua loja nos Jardins, onde nos fundos funcionaria uma minifundição, os policiais apreenderam cerca de 80 jóias e 14 relógios. Ela negou a acusação e disse que as jóias apreendidas eram pessoais.

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