Pela 1ª vez, IBGE vai mapear violência

Estudo será feito porta a porta em 2009 e traçará perfil das vítimas

Alexandre Rodrigues e Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2007 | 00h00

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai realizar uma pesquisa nacional para identificar o perfil das vítimas de crimes e de violações aos direitos humanos. Segundo o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, a pesquisa será planejada em 2008 e deve ser feita em 2009. Diferentemente das estatísticas de índices de criminalidade produzidas pelos Estados, a pesquisa do IBGE não usará registros policiais. As informações serão coletadas em visitas domiciliares em todo o País e poderão determinar os extratos sociais mais vulneráveis e a quantidade de crimes que não são comunicados às autoridades - a "taxa obscura", segundo Nunes."Vamos analisar o perfil social da população que já foi alvo de algum tipo de violência. Isso não existe no País. Queremos saber o perfil da população que é alvo e quais são as seqüelas e conseqüências de atos de violência sobre a criança, a mulher, o idoso e o cidadão em geral", disse Nunes, depois de abrir ontem o Seminário Nacional de Indicadores em Direitos Humanos. O encontro, promovido pelo IBGE com a Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), o Ministério das Relações Exteriores e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vai definir os indicadores que podem formar um banco de dados específico sobre o respeito aos direitos humanos. A pesquisa mais importante planejada pelo IBGE nessa área é a de vitimização, cujos resultados só devem ser conhecidos em 2010. Segundo Nunes, além de precisar a subnotificação de atos violentos que vão da agressão física e psicológica a assaltos e tortura policial, o IBGE vai investigar os motivos que evitam o acesso à Justiça. Também serão analisadas todas as etapas que envolvem crimes, incluindo danos físicos, financeiros e sociais e a sua reparação. A pesquisa será feita em parceria com o Ministério da Justiça. "Não é só quantificar, mas entender por que as pessoas não declararam ou não acompanharam o desdobramento dos registros de crimes", explicou o presidente do IBGE. Um grupo de técnicos da instituição dedicará 2008 a planejamento e preparação dos questionários. Ainda não há um orçamento definido, mas a pesquisa deverá custar em torno de R$ 2 milhões. "É uma pesquisa sofisticada, complexa e que exigirá um treinamento do entrevistador." A intenção do IBGE é ter uma pesquisa anual de vitimização. "Isso é o mais importante. Não é tirar de dez em dez anos um retrato, mas ter uma visão periódica sobre o fenômeno", disse Nunes, que recebeu o ministro-chefe da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, e a alta comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, Louise Arbour. "A letalidade policial é medida por boletim de ocorrência. Vários Estados fazem muito bem e outros fazem muito mal. Estamos cheios de mortos que não produzem boletins de ocorrência", avaliou Vanucchi.

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