Pela 1ª vez, Rio ultrapassa São Paulo em número de homicídios

Governo do Rio rechaça comparação e alega que 1º semestre de 2008 teve menor número de vítimas desde 2001

Clarrisa Thomé, O Estado de S. Paulo

08 Outubro 2008 | 21h50

Pela primeira vez o Estado do Rio ultrapassou o de São Paulo em números absolutos de homicídios doloso - ocorreram 5.504 assassinatos em território fluminense, ante 4.877 em São Paulo, no ano passado, revela a segunda edição do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em relação aos dados de 2006, São Paulo conseguiu reduzir esse tipo de crime em 19,5%, enquanto no Rio a queda foi de 3,6%.   Veja também: A íntegra do 2º Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública  Em 2007, País gastou R$ 34,9 bilhões em segurança   A Secretaria de Estado de Segurança do Rio (Seseg) rechaça comparações entre os dois Estados. "A política de investimento em segurança do governo paulista vem se mantendo a mesma há cerca de 15 anos. O governo do Rio assumiu há 15 meses, enfrentando distorções históricas. Apenas um dado: São Paulo tem 90 mil PMs, o Rio cerca de 38 mil. Estas especificidades não permitem comparações meramente estatísticas", respondeu, em nota, a Seseg.   O texto destaca ainda que "o primeiro semestre de 2008 apresentou o menor número de vítimas de homicídios dolosos em toda a série histórica, desde 1991". Foram 2.859 vítimas, contra 3.135 no mesmo período de 2007 - queda de 8,8%.   O sociólogo Gláucio Soares, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), também defende a tese de que as políticas adotadas em São Paulo a longo prazo são responsáveis pela redução dos homicídios dolosos. "O resultado desse trabalho foi cumulativo, as mesmas políticas foram mantidas. O Rio adotou políticas, entre aspas, que foram trocadas com instabilidade", afirma.   Autor do livro Não Matarás, que discorre sobre o tema homicídio, Soares defende que as estatísticas façam distinção sobre os tipos de assassinatos. "A prevenção varia de acordo com o tipo de crime. Um dos tipos de homicídio está ligado à violência doméstica, outro é a guerra entre traficantes. Esses dados são importantes e ainda não foram incorporados", disse.   O cientista político João Trajano Sento-Sé, coordenador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, defende a articulação com municípios da região metropolitana como forma de combater a violência no Rio.

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