Pela 1ª vez, uma oficial tem a prisão decretada

A tenente-coronel Elizabete Soliman teve a prisão preventiva decretada ontem pelo juiz Marcos Fernando Theodoro Pinheiro, da 1ª Auditoria da Justiça Militar. O pedido de prisão foi formulado pelo coronel Wagner Cesar Gomes de Oliveira Tavares Pinto, do Comando de Policiamento de Área Metropolitano-7 (CPA-M7). A oficial é acusada de chefiar um suposto esquema de arrecadação de propina da máfia dos caça-níqueis e de peruas clandestinas no 31º Batalhão da Polícia Militar.É a primeira vez, desde a criação do quadro de oficiais femininas - na década de 50 - que uma tenente-coronel tem a prisão decretada. Soliman foi delatada pelo primeiro-tenente Antônio Domingos de Souza Neto, oficial do 31º BPM, que aceitou fazer uma delação premiada. Foram expedidos ainda seis mandados de busca e apreensão em casas de policiais suspeitos.A promotora de Justiça Eliana Passarelli concordou com a prisão e buscas. Horas antes de pedir a prisão, o coronel Cesar, que assumiu a apuração do caso, disse que era preciso prudência em relação às acusações .Ao todo, já estão presos nove PMs acusados de participar do esquema - Soliman pode ser o décimo. A própria tenente-coronel foi afastada do cargo por decisão do coronel Cesar - ela ocupa atualmente uma função burocrática na capital. "Eu não me surpreenderia se outros policiais estiverem envolvidos", afirmou o coronel Cesar.A investigação no CPA-M7, responsável pela região de Guarulhos, começou no ano passado. Três testemunhas, cujas identidades estão sob sigilo, denunciaram os pagamentos de propina. Anteontem, o major Altair do Carmo Silva e três praças foram presos - outros cinco já estavam presos. Por ter feito a delação, o tenente Souza Neto recebeu o direito de aguardar o processo em liberdade.

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