Pela primeira vez, bispos se hospedam em instalações de luxo

Participantes da 51ª Assembleia-Geral da CNBB estão no Hotel Rainha do Brasil, categoria 4 estrelas, construído pelo Santuário Nacional de Aparecida

José Maria Mayrink - Enviado especial a Aparecida,

16 Abril 2013 | 12h59

Os participantes da 51ª Assembleia-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida, estão hospedados por dez dias no Hotel Rainha do Brasil, categoria 4 estrelas, construído prioritariamente para eles, embora seja aberto ao público durante o resto do ano. Inaugurado em setembro de 2012 pelo Santuário Nacional de Aparecida e administrado pelos missionários redentoristas, o hotel tem estrutura profissional para competir no mercado.

O Hotel Rainha do Brasil se localiza na Cidade do Romeiro, a 700 metros da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, num complexo acessível ao público, com dois lagos, capela, parque infantil e centro comercial. O prédio, de 17 andares, tem 330 apartamentos e dois restaurantes com capacidade para servir 600 pessoas. É a primeira vez que os bispos se hospedam em instalações de luxo. No Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba, onde se reuniram de 1974 a 2009, eles ocupavam quartos individuais simples e despojados. Em 2011 e 2012, já em Aparecida, os bispos se dividiram entre o Seminário Bom Jesus e pequenos hotéis da cidade.

"Dos 361 participantes da assembleia, recebemos 320, deixando uma margem de 10 apartamentos vagos para atender a emergências", informou padre Luiz Cláudio Alves de Macedo, administrador do Rainha do Brasil. Os demais bispos e todos os assessores estão hospedados no vizinho WEB Hotel, alugado pelo Santuário de Aparecida. Durante a reunião, até o dia 20, os dois hotéis estão fechados para outros hóspedes.

Os bispos pagam R$ 140 de diária, com refeições, preço subsidiado pela CNBB. O hotel reservou 15 apartamentos gratuitos para as dioceses mais pobres. O preço médio da diária normal é de R$ 190, comparável ao de outros estabelecimentos da cidade. Aparecida tem 174 hotéis e pensões com 33 mil leitos, que ficam lotados nos fins de semana, feriados e festas religiosas. Desde a inauguração, em setembro, o Hotel Rainha do Brasil registra ocupação média de 20%. Além de devotos de Nossa Senhora Aparecida, ele é procurado por empresas da região.

Ao entrar no apartamento, cada bispo encontrou em cima da mesa uma bandeja com maçãs, uvas e morangos. No frigobar, apenas três copos de água mineral, nada de bebida alcoólica, refrigerantes e chocolates. No mais, o conforto é igual ao de outros hotéis da categoria: ar-condicionado, duchas, telefone, televisor de tela plana, canais pagos e acesso à internet.

No terraço, há três piscinas para adultos, crianças e hidroginástica, sala de ginástica e sala de jogos. Dali se tem vista panorâmica da cidade, com a Basílica de Aparecida em destaque. Uma parede de vidro protege os hóspedes da indiscrição de curiosos, mas permite que eles vejam a paisagem externa. Ao lado da recepção, uma loja de conveniência oferece sobretudo artigos religiosos, com lembrancinhas de Aparecida.

"Aqui não é a Casa Santa Marta, que hospeda os cardeais durante o conclave, mas a segurança é parecida", brinca o padre Luiz Cláudio, ao descrever o esquema de proteção aos bispos. Ninguém tem acesso ao Hotel Rainha do Brasil e ao WEB, enquanto eles estão ali. Fotografias para a imprensa, nem quando entram ou saem. São normas da CNBB. A rotina da assembleia prevê várias movimentações diárias. Agentes do Santuário e equipes da Polícia Militar estão sempre por perto.

Os bispos saem às 7 horas para a missa na Basílica, chegam para almoçar às 12h45, voltam ao Santuário para a reunião da tarde às 15 horas e se recolhem ao hotel às 19 horas. Há 14 salas de reunião para os grupos de trabalho que discutem temas especiais depois do jantar. Uma capela de 22 lugares na área da recepção e outra, de 180 lugares, no pátio externo são usadas para orações e eventualmente para celebração da missa.

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