Pelo 3º dia, circulação de trens apresenta problemas no Rio

Na quinta-feira, policiais militares usaram gás lacrimogênio para controlar confusão na Central do Brasil

09 de outubro de 2009 | 07h44

Pelo 3º dia seguido a circulação de trens do Rio de Janeiro apresentou problemas. Na manhã desta sexta-feira, 9, a circulação nos ramais de Santa Cruz e Deodoro tiveram falhas. O problema foi solucionado às 7h30, segundo a SuperVia. Os trens atrasaram por cerca de 10 minutos depois de um problema em uma subestação de energia. Nos demais ramais, não houve alterações nas operações, segundo a SuperVia. 

Na quinta, Choque foi chamado para conter protesto de usuários na Central. Foto: Wilton Jr/AE

Na quinta-feira, 8, a mais importante estação ferroviária do Rio, a Central do Brasil, de onde partem trens de cinco ramais, ficou fechada no fim da tarde por conta de pane em um trem. Passageiros ameaçaram quebrar a grade e houve confronto com a Polícia Militar. Quando começou o tumulto, homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar usaram gás lacrimogêneo, gás de pimenta e balas de borracha para impedir que os manifestantes quebrassem a gare.

Os passageiros foram retirados da estação e um cordão de segurança foi formado do lado de fora da Central. Por várias vezes manifestantes tentaram invadir o prédio e os policiais usaram gás lacrimogêneo. Com sintomas de intoxicação, quatro passageiros e uma funcionária da concessionária Supervia foram levados para o Hospital Municipal Souza Aguiar.

Na quarta, passageiros atearam fogo a uma composição e promoveram quebra-quebra em quatro estações, revoltados com o atraso dos trens.

A Central do Brasil foi fechada às 16h06, quando um trem vazio teve uma pane e quebrou ao chegar à estação. A Supervia informou que os trens estavam partindo da Estação de São Cristóvão e que os passageiros foram avisados do problema. Ainda segundo a empresa, eles foram ressarcidos.

Devolução do dinheiro

O subgerente de loja Bruno Santos Vieira, de 20 anos, já estava dentro do trem quando ouviu o aviso de que apenas às 19 horas o tráfego seria retomado. Segundo ele, a confusão começou porque a Supervia não quis devolver o dinheiro da passagem. "A revolta, primeiro, foi por causa da falta de informação. Ninguém sabia o que tinha acontecido. Depois não quiseram devolver o nosso dinheiro. Aí, realmente, os vândalos ameaçaram quebrar as coisas e a Polícia Militar chegou. Os seguranças da Supervia também bateram nos passageiros."

Uma diarista que se identificou apenas como Maria da Penha, de 47 anos, disse que teve de se esconder para não ser pisoteada. Segundo ela, até grávidas tiveram de sair correndo na hora em que a PM jogou spray de pimenta contra os passageiros. "É uma falta de respeito o que fazem com a gente", queixou-se.

Para o comandante do 5º BPM (Praça da Harmonia), tenente-coronel Carlos Henrique Alves de Lima, não houve excesso da Polícia Militar. "Excesso foram as pedras portuguesas jogadas pelos manifestantes contra os policiais; foram as lixeiras reviradas e as tentativas de quebra-quebra. Usamos gás lacrimogêneo para afastar as pessoas e arrefecer os ânimos. Estávamos preocupados com o patrimônio da Supervia e o com os funcionários da concessionária", afirmou.

A Supervia informou que a estação foi reaberta às 17h40, mas o ramal de Saracuruna não voltou a operar. Os passageiros eram orientados a pegar o trem para Belford Roxo, na Baixada Fluminense, e fazer baldeação para a outra linha na Estação de Triagem. A concessionária disse ainda, em nota, que um objeto atingiu a rede elétrica e quebrou o pantógrafo (equipamento que liga o trem à rede) e provocou o "desarme da energia, o que impossibilitou os trens de partirem da Central do Brasil". Segundo a nota, a Supervia e a Agência Reguladora de Serviços Públicos (Agetransp) estão investigando a ocorrência.

"Os problemas de ontem (quarta-feira) e hoje (quinta-feira) ocorreram porque a Supervia arrancou os desvios da linha. Ou seja, se o trem sofre uma avaria a concessionária simplesmente não tem como retirá-lo da linha sem interromper o tráfego. É um absurdo e aumenta a insegurança na via férrea", afirmou o presidente do Sindicato dos Ferroviários, Valmir de Lemos.

Quebra-quebra

Na quarta, passageiros revoltados pelo atraso dos trens no ramal Japeri-Central do Brasil interromperam o tráfego na linha férrea e promoveram quebra-quebra que se espalhou por quatro estações. Uma composição foi incendiada, roletas, bilheterias, alambrados e caixas eletrônicos foram destruídos. Onze pessoas ficaram feridas no tumulto.

 

Solange Spigliatti, da Central de Notícias e Talita Figueiredo e Clarissa Thomé, do Estado

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