Pelo menos 34 mortos soterrados em Angra

Pelo menos 34 pessoas morreram soterradas por deslizamentos de terra em Angra dos Reis, no Sul Fluminense, em decorrência de fortes chuvas. Cerca de 1,5 mil moradores ficaram desabrigados ou desalojados. A cidade está isolada desde a madrugada desta segunda-feira, quando barreiras desmoronaram e bloquearam a BR-101.A Prefeitura decretou estado de calamidade pública e pediu ajuda aos governos estadual e federal. A cidade parou por causa da tragédia. A população se mobilizou em equipes de voluntários para ajudar os que perderam suas casas. Até o início da noite desta segunda, os bombeiros haviam retirado 34 corpos das áreas em que ocorreram desabamentos, mas pode haver mais mortos.A região mais afetada foi a de Japuíba ? só no bairro Areal, o mais castigado, foram 19, sendo 14 da mesma família. No bairro da Ribeira, a vítima foi um engenheiro da Eletronuclear. Em Angra, é grande o número de ocupações irregulares em encostas. As informações sobre o número de desaparecidos são desencontradas: a Defesa Civil informou que são cinco pessoas; a Prefeitura, 50.Dizendo-se preocupado, o prefeito Fernando Jordão (PSB) solicitou à governadora Benedita da Silva (PT) o envio de equipes especializadas em resgate de vítimas soterradas. Os desabrigados foram acolhidos em escolas públicas e receberam doações de roupas e mantimentos. Hospitais da região pediram a colaboração de doadores de sangue para atender pessoas feridas.A população foi orientada a permanecer dentro de casa. Ônibus e carros deixaram de circular. A BR-101 (trecho Rio-Santos) teve deslizamentos de terra em diversos pontos e ficou interditada durante todo o dia. A Prefeitura de Mangaratiba, município vizinho a Angra, enviou máquinas para retirar a grande quantidade de lama da estrada.O prefeito disse que há vinte anos não chovia tanto em Angra. ?Foi uma tromba d?água localizada em cima da cidade. A situação é muito grave?, disse Jordão. O quartel do Corpo de Bombeiros de Angra ficou alagado e as equipes tiveram dificuldade para trabalhar. Os alunos do Colégio Naval foram chamados para ajudar.A Defesa Civil do Estado deslocou para Angra 80 bombeiros dos quartéis do Rio de Janeiro, de Barra Mansa, Volta Redonda e Resende. Eles levaram aparelhos que medem calor e com isso descobrem a presença de pessoas com vida soterradas.A governadora Benedita da Silva (PT) manteve contato por telefone com o prefeito de Angra. ?Ele pediu que mandássemos bombeiros qualificados para auxiliar nas escavações, porque sempre há a esperança de encontrar sobreviventes?, disse Benedita. A governadora disse que só não foi à cidade pessoalmente porque não havia condições nem nas estradas nem para vôo.O prefeito pediu o desligamento das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2 por causa da interdição da BR-101, já que o plano de emergência em caso de vazamento prevê a fuga dos moradores pela estrada. Mas as usinas continuaram funcionando porque outros trechos da rodovia estavam abertos.A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), responsável pela fiscalização e licenciamento das usinas, informou que ?foi declarada preventivamente a situação de Evento Não Usual?, às 9h20. A Cnen avaliou que as usinas estavam em condições estáveis e que as quedas de barreiras indicavam possibilidade de desobstrução em curto espaço de tempo.A precipitação começou às 19 horas de domingo e continuou na madrugada e nesta segunda-feira. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que o nível pluviométrico registrado em Angra foi de 129 milímetros, quando a máxima na capital foi de 114 milímetros, na estação do Inmet do Alto da Boa Vista.As chuvas foram provocadas por uma frente fria vinda do Sul do País que está estacionada sobre o norte do Estado e no Espírito Santo. Não há previsão de melhora do tempo. Os municípios de Cabo Frio, na Região dos Lagos, Petrópolis e Nova Friburgo, na Região Serrana, e Campos, no Norte Fluminense, também foram afetados pelas chuvas, mas não houve ocorrências graves. No Rio, apesar de ter chovido o dia inteiro, não houve grandes problemas.O mau tempo provocou engarrafamentos por toda a cidade e o fechamento parcial do aeroporto Santos Dumont, por onde circulam os vôos domésticos. Os pousos foram interrompidos das 7h30 às 8h05 e as decolagens foram suspensas às 13h15. As manobras no aeroporto internacional Tom Jobim foram feitas com auxílio de instrumentos.

Agencia Estado,

09 de dezembro de 2002 | 18h36

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