Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Pelo 2º dia, passageiros enfrentam filas e atrasos em Congonhas

Dos 73 voos previstos no aeroporto, seis não partiram no horário e dois foram cancelados; em Cumbica, foram 13 embarques prejudicados desde a meia-noite

Constança Rezende, Felipe Cordeiro, Isabela Palhares e Roberto Gazzi, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2016 | 08h59
Atualizado 19 Julho 2016 | 20h08

RIO E SÃO PAULO - No segundo dia de regras mais rígidas para embarque em voos domésticos, os passageiros voltaram a enfrentar filas e atrasos. No Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista, o mais prejudicado pelas mudanças, dos 73 voos previstos, seis estavam atrasados na manhã desta terça-feira, 19, e dois foram cancelados, segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). 

Às 4h30, uma multidão lotava o aeroporto e formava filas nos check-ins das companhias, que dispunham de poucos funcionários para orientar os passageiros.

Assustados com o problema do dia anterior, com os avisos para que antecipassem a chegada, os passageiros madrugaram, mas a chegada mais cedo a Congonhas não foi suficiente para evitar os atrasos nos voos.

Segundo funcionários que pediram para não ser identificados, a fila tomou todo o saguão de embarque entre 5 horas e 8 horas desta terça-feira, uma hora a menos do que na segunda-feira, 18, primeiro dia da nova regra de fiscalização.

Os funcionários afirmaram que, apesar de grandes, as filas andaram com mais rapidez nesta terça-feira porque os passageiros estavam mais informados sobre a mudança. Com receio de perder os voos, alguns chegaram de quatro a cinco horas antes do horário de embarque.

A comerciante Larissa Cristina dos Santos, de 33 anos, tinha um voo para Porto Alegre marcado para as 11h40 e chegou às 7h30 a Congonhas. Ela disse que estava com medo de perder o embarque e que gostaria de ter chegado ainda mais cedo.

"A gente sempre fica apreensiva. Ainda mais aqui em São Paulo por causa do trânsito e por não saber como vai estar o aeroporto", afirmou Larissa. "As pessoas precisam se acostumar para esse tipo de regra funcionar."

A farmacêutica Daniela Duarte, de 37 anos, fez conexão em Congonhas. O voo dela de Goiânia chegou às 8h30 e ela teria que esperar até as 12h15 para seguir para Juiz de Fora.

"Nós (ela, o marido e a filha de 8 anos) deveríamos ficar na área de embarque para esperar a conexão. Mas estava muito lotado, não tinha onde sentar, os banheiros tinham muita fila", contou Daniela.

Eles preferiram sair da área de embarque e esperar nas áreas livres do aeroporto. "Preferimos correr o risco de ter que pegar fila para entrar de novo a ficar em pé em uma sala lotada."

De acordo com funcionários, a área de embarque tem ficado mais cheia do que o normal, já que os passageiros têm chegado mais cedo do que as duas horas de recomendação da Anac.

É o caso do empresário Luiz Felipe Ramos, de 35 anos, que chegou três horas antes do horário de seu voo no aeroporto.

"Vi que ontem (segunda-feira) teve muita confusão, fila e que pessoas até perderam a viagem por causa disso. Então fiquei com medo e cheguei bem cedo aqui", disse Ramos.

Em nota, a Infraero informou que, em Congonhas, 219 funcionários estão responsáveis pelos canais de inspeção. "Além desses profissionais, a Infraero realizou o remanejamento de escalas de empregados orgânicos, que estão dando o apoio na orientação do passageiro quanto aos novos procedimentos de inspeção, de modo que um maior número de profissionais esteja à disposição dos usuários nos horários de maior movimento", diz a nota. 

A Infraero também informou que, no saguão, "os usuários contam com seis conjuntos de banheiros (masculinos, femininos e acessíveis) e 2.443 assentos, todos à disposição dos usuários". 

Segundo a Infraero, foram adotadas uma série de medidas para reduzir os impactos como "intensificação da informação prestada ao usuário, redefinição do fluxo do canal de inspeção e distribuição de sacos plásticos e bandejas aos passageiros". A partir desta quarta-feira, o acesso à sala de embarque do Aeroporto de Congonhas estará disponível a partir das 4h.

Outros aeroportos. No Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, dos 99 voos previstos desde a 0 hora desta terça-feira, 13 atrasaram, sendo dois entre as 7 horas e 8 horas, segundo a Gru Airport, concessionária que administra o terminal. Nenhum voo foi cancelado no maior aeroporto do País.

Já no Aeroporto Internacional do Galeão, na zona norte do Rio de Janeiro, nenhum dos 45 voos previstos estava atrasado até as 10 horas desta terça-feira, de acordo com a concessionária RioGaleão.

No Santos Dumont, na região central da capital fluminense, as filas no portão de embarque começaram por volta das 4h30 e deram duas voltas no saguão do aeroporto. Muitos passageiros chegaram mais cedo ao embarque, depois que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) recomendou aos passageiros que chegassem duas horas antes do voos, mas a medida não evitou o transtorno.

A Infraero não registrou atrasos de voo no Santos Dumont, até as 10 horas. Entre os 47 voos domésticos previstos, um foi cancelado.

Nas redes sociais, passageiros relataram esperas de até uma hora na fila de embarque. “Madrugar no aeroporto para não pegar fila na revista dos passageiros, não tem preço. Será que existe planejamento para realização da Olimpíadas?, disse um homem.

Outro internauta escreveu: “Como sempre, Brasil fazendo tudo às avessas. Agora vamos perder em torno de 30 minutos para passarmos pela segurança do aeroporto, começam a fazer as coisas sem o mínimo de planejamento dá nisso. Passageiros na fila já sinalizam que vão perder o voo e a ponte a área ficará menos ágil”.

Já no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, de acordo com a Infraero, dos 43 voos previstos, um estava atrasado.

Antecedência. A Anac recomenda agora que passageiros cheguem com pelo menos duas horas de antecedência aos terminais - a orientação dada no fim de semana era de uma hora e meia. E também sugere que notebooks, cintos, relógios e outros objetos metálicos sejam retirados antecipadamente da bagagem de mão.

Nesta segunda-feira, a rigidez que passou a ser adotada nas revistas unificou os cuidados entre embarques nacionais e internacionais no País, o que inclui a revista de passageiros para o acesso às áreas restritas (setor de embarque, pista e aeronaves) e a inspeção de bagagens.

A mudança só foi anunciada na sexta-feira, 15, o que irritou muitos passageiros. O Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA) informou que não houve tempo hábil para que as companhias aéreas e os terminais se adaptassem. 

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