Pequenos grandes erros

Menos de um ano antes das eleições presidenciais de 2000, Bill Clinton esbanjava popularidade e os Estados Unidos, prosperidade. A economia bombava em um cenário internacional de relativa paz, com envolvimento militar apenas nos Bálcãs, bem-sucedido e por uma boa causa.

Nelson Motta, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2010 | 00h00

Popular, carismático e eficiente, Clinton era o mais poderoso cabo eleitoral que o vice Al Gore poderia desejar, sua eleição seria uma moleza. Mas Clinton cometeu um pequeno grande erro: Monica Lewinski. E saiu do governo atropelado por um impeachment e com a imagem de mulherengo patológico. E mentiroso.

Na campanha, por covardia e hipocrisia, Al Gore fugiu de Clinton como o diabo da cruz. Não queria associar sua imagem eco-familiar a um devasso, e Clinton não pediu votos para Gore sequer no seu nativo Arkansas, onde era muito popular. Pequeno enorme erro de Gore.

Apoiado por Clinton, ele ganharia fácil no Arkansas. Mas o desprezando, ofendeu seus conterrâneos e foi derrotado.

Se vencesse, teria levado todos os votos eleitorais do Estado e, mesmo perdendo na Flórida, se elegeria presidente. E pouparia o mundo de George W. Bush.

São esses pequenos, que depois se mostram grandes erros, que muitas vezes decidem eleições. E Copas do Mundo, quando uma bola boba perdida na intermediária pode armar um contra-ataque e a jogada do gol que vai definir a partida. Como a que Cerezo perdeu em 82 e deu em gol da Itália.

Em 1960, JK terminava o governo popularíssimo, com grandes chances de eleger seu sucessor. Mas escolheu o marechal Lott, um poste carregado de medalhas, honrado, pesado e chato. E desconhecido do povo que adorava o presidente bossa nova, um democrata e desenvolvimentista, otimista e vitorioso.

E o marechal de JK foi batido pela demagogia moralista e histriônica de Jânio Quadros, candidato da oposição e, por baixo dos panos, do PTB governista de Jango Goulart, na espúria chapa Jan-Jan (só no Brasil se podia votar para presidente em um partido e para vice em outro), elegendo um maluco que oito meses depois jogaria o Brasil numa crise política que deu na ditadura e só terminou na eleição de Tancredo.

A PARTIR DESTA EDIÇÃO A COLUNA DE NELSON MOTTA, QUE ERA PUBLICADA ÀS SEXTAS-FEIRAS NO CADERNO 2, PASSA A SAIR NESTE ESPAÇO

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