Pequenos grupos de policiais não têm como subir morro, diz entidade

Em pelo menos quinze favelas do Rio a Polícia Militar só entra com grande número de policiais para combater o tráfico. A estimativa é da Associação de Cabos e Soldados da corporação, que defende um planejamento mais detalhado das ações para não colocar em risco a vida dos PMs e dos moradores dos morros. Hoje foi exonerado o comandante Ipurinan Calixto, do 6º Batalhão da PM, cujos policais teriam se recusado a socorrer duas famílias ameaçadas por traficantes no Morro dos Macacos, na zona norte, na quarta-feira à noite, alegando ser perigoso.O presidente da associação, Vanderlei Ribeiro, considerou a exoneração do comandante injusta. "Há favelas em que só se deve subir de forma planejada, não dá para ser um carro só. Principalmente à noite", justificou. Ele acredita que o delegado Herald Espinosa Filho, da 20ª Delegacia Policial (Vila Isabel) -, que ontem disse que "se os policiais têm medo de entrar na favela à noite, vão ser bancários" - é que deveria ser demitido. "Não houve intenção de não atender ao chamado. Foi um problema de comunicação. O delegado se precipitou", afirmou Ribeiro, em concordância com a versão do secretário de Segurança Pública, Roberto Aguiar. Segundo Aguiar, o atendimento às famílias foi retardado por cinco horas e meia porque a vítima que chamou a polícia pediu uma ocupação, o que demanda mais tempo, e não um resgate, que seria imediato. Herald Espinosa Filho relatou que, depois de ser chamado em casa, foi à delegacia por volta das 22h de quarta-feira para resolver o impasse sobre subir ou não o Morro dos Macacos. Ele contactou o 6º BPM e ouviu dos policiais que eles tinham ordem do comando para não entrar na favela à noite. Ele resolveu então montar a operação-resgate. Na quinta-feira, foram retirados os móveis das famílias, sob proteção policial. O chefe de Polícia Civil, Zaqueu Teixeira, disse hoje que o delegado agiu corretamente.PerigoA Associação de Cabos e Soldados da PM listou como as favelas mais violentas as do Complexo do Alemão - onde o jornalista Tim Lopes foi assassinado, em junho -, da Maré, São Carlos e Macacos, todas na zona norte. Vanderlei Ribeiro disse, no entanto, que o número de PMs mortos em operações caiu nos últimos três meses. Segundo cálculos da entidade, no início do ano morria um policial por dia, enquanto hoje são dois por mês.O coronel Ipurinam Calixto, que estava à frente do 6º BPM havia dois anos, foi substituído pelo então comandante do batalhão do Méier, Francisco Murilo Leite. O comando da PM não deu explicação sobre a troca, alegando que se tratou apenas de uma "mudança de rotina".

Agencia Estado,

26 de julho de 2002 | 18h36

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