Peregrinos tomam conta do Rio

Voluntários oferecem ajuda em diversos idiomas

Clarice Cudischevitch e Sergio Torres,

21 Julho 2013 | 23h11

Peregrinos estrangeiros e voluntários brasileiros ocuparam as principais atrações do Rio durante o fim de semana. Praias, museus, praças e shoppings foram visitados por milhares de turistas atraídos para a cidade pela presença do papa Francisco e a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Ícone carioca, Copacabana, na zona sul, foi uma das praias escolhidas pelos peregrinos. Ontem, na orla, eles elogiavam a cidade, mas queixavam-se dos preços, especialmente dos alimentos. O comerciante francês Jean Rillot diz que um barraqueiro queria lhe vender um coco por R$ 10. "Fiquei com sede", lamentou.

Para a colombiana Ester Moralles, no Rio há dois dias, os preços cobrados são abusivos. "Sinceramente, estou decepcionada com a ganância do carioca", disse ela, enquanto a Cruz Peregrina, principal símbolo da JMJ, percorria as avenidas litorâneas das zonas sul e oeste.

As esculturas de areia, tradicionais no calçadão, atraíram os olhares. Ubiratan dos Santos, de 60 anos, os últimos 20 como escultor de areia, homenageou o pontífice com uma obra na altura da Rua Miguel Lemos.

Bira, como é conhecido, costuma "desenhar" as mulheres de areia dentro de biquínis quase invisíveis, mas decidiu vesti-las com saiotes, em respeito ao papa. "Não queria que ele passasse pela praia e visse as moças sem roupa", justificou. "Recebo muitas críticas. Menos de italianos, alemães e americanos, que adoram as mulheres de biquíni."

No centro, a fila do Museu Nacional de Belas Artes, com exposição religiosa, esteve bem maior do que de costume. "O movimento de estrangeiros aumenta a cada dia", revela o vigilante Ivan Leite .

A equatoriana Natalia Correa, de 20 anos, já conheceu Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Copacabana, Ipanema e até a vizinha Niterói. Ela foi à exposição acompanhada de jovens que conheceu na Paróquia São Francisco de Paula, onde está hospedada, como Edith Aguilar, do México, Jenukshan Colombas, do Sri Lanka e Vania Herrera, do Peru. "Vim de longe para ser voluntário na Jornada", disse Jenukshan, de 20 anos.

Em plena Praça 15, no centro da cidade, voluntários uniformizados aguardavam, sábado e domingo, os peregrinos hospedados em Niterói, que faziam a travessia da Baía de Guanabara nas barcas de passageiros. Eles mostravam cartazes em português, inglês e espanhol oferecendo ajuda. Também tiravam dúvidas em relação a destinos.

"Esse papa veio mudar o mundo. E vai começar pelo Brasil", disse o venezuelano Juan Matias Romero, operário de 20 anos que chegou a Niterói na quarta-feira passada.

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