Perícia em mina que teve explosão em SC será feita nesta 3ª

Dois mineiros morreram e outros 25 ficaram feridos; Bombeiros acreditam que mortes foram causadas por asfixia

Júlio Casto, especial para O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2008 | 20h26

Uma explosão de origem ainda desconhecida, por volta das 3 horas desta segunda-feira, 5, numa mina de carvão mineral, em Lauro Muller, a 205 quilômetros ao sul de Florianópolis, matou dois mineiros, provocou ferimentos graves e um e leves em outros 24 que trabalhavam no turno. Uma perícia dos técnicos do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM/SC), da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e do Ministério do Trabalho será feira nesta terça-feira, 6, para apontar as possíveis causas do acidente.   Veja também: Encontrados corpos soterrados em mina de Santa Catarina Explosão em mina deixa 2 desaparecidos e fere 13 em SC   Os corpos do operador de máquinas Lorenir Hoffmann e o mecânico Genivaldo da Silva, ambos com 34 anos, foram localizados a quase cinco quilômetros da "boca" da mina, 10 horas depois do acidente. A explosão ocorreu a quatro quilômetros e meio da entrada da mina que tem uma extensão de cerca de seis quilômetros. No momento trabalhavam no local 27 mineiros, 25 deles em uma área mais distante do local da explosão.   As mortes, segundo os bombeiros que atenderam a ocorrência, foram decorrentes, provavelmente, por asfixia, já que com a implosão o sistema de ventilação, bem como os tapumes responsáveis pela sustentação dos canos que transportam o ar, sofreram rupturas. Outra versão não oficial, dava conta de que o impacto da explosão foi fatal para os dois mineiros.   "Foi enorme a dificuldade para chegar ao local. A formação de gases tóxicos, a fumaça e a visibilidade praticamente nula dificultaram muito o resgate dos corpos", comentou o capitão do Corpo de Bombeiros Marcos Aurélio Barcelos.   Segundo o oficial, não houve ruptura das galerias, colapso do teto e das paredes. "A estrutura da mina ficou intacta", acrescentou. A mina Novo Horizonte, segundo a assessoria de imprensa do Sindicato das Indústrias de Extração de Carvão de Santa Catarina, foi a primeira no Brasil a receber certificação ISO 14000 credenciada pelas normas ambientalistas e de segurança.   Há cerca de dois anos, ela virou notícia por causa de outra explosão que atingiu dois mineiros, sendo que um deles, apelidado de Falamansa ficou tetraplégico. No local são extraídos atualmente cerca de três mil toneladas de carvão diariamente. A Novo Horizonte funciona há oito anos.   Todos os mineiros que trabalhavam no local foram aconselhados pela administração da mineradora Catarinense a ir embora para ficar ao lado dos familiares. Os que permaneceram foram apenas os mais próximos dos dois mineiros mortos, ora instruindo os bombeiros no acesso às galerias, ora se revezando no transporte de equipamentos para o interior.   Sofrimento   O anúncio do óbito de Lorenir e Genivaldo foi dado por volta das 13h10. Minutos antes, parte dos 200 mineiros que trabalham no local e alguns moradores da região faziam uma corrente de oração. "Eu quero ver o meu filho. Não sei o que faço", foram as primeiras palavras do pai de Lorenir, Luiz Gonzaga Hoffmann, de 59 anos, enquanto era retirado do local e levado para casa.   Sobrinho de Genivaldo, o também mineiro Paulo Alexandre, de 28 anos, estava inconsolável. Há dois anos na profissão, ele disse que não existia explicação para o acidente, porém ressaltou que sempre há riscos, especialmente na sua profissão. "Todo dia a gente entra aí pensando em sair. A gente sente um vazio e só quem é mineiro sabe explicar o sentimento que a gente tem agora. Nós éramos muito apegados", disse com voz embargada.   Paulo Alexandre foi um dos mineiros que estiveram ao lado dos bombeiros na tentativa de localizar os corpos. "Eu dizia pra eles que não sairia da mina enquanto não os achassem", completou o mineiro, informando que é de aproximadamente R$ 1,5 mil o salário da categoria.   "Numa situação como esta, a gente passa a pensar um pouco mais nos riscos que tem esta profissão. É triste, mas a gente tem que pensar na responsabilidade que temos com a família", comentou o mineiro Everaldo Oliveira, de 27 anos, que há sete atua na profissão que concede aposentadoria com 15 anos de serviços.

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