Perícia quer Nayara na cena do crime durante reconstituição

Para diretor do Instituto de Criminalística, participação da garota seria ?ideal? para investigação

O Estadao de S.Paulo

24 Outubro 2008 | 00h00

De acordo com o diretor do Instituto de Criminalística (IC) de Santo André, Nelson Gonçalves, seria ideal que Nayara, a amiga de Eloá Pimentel que também foi feita refém no apartamento da CDHU no Jardim Santo André, participasse da reconstituição do mais longo cárcere privado da história de São Paulo. Caso ela não queira, por algum motivo particular ou emocional, poderá orientar passo a passo uma perita que ficará em seu lugar. "Ela (Nayara) poderá ir passando as instruções para que a policial realize os movimentos conforme os do dia da invasão do Gate (Grupo de Ações Táticas Estratégicas)." Ontem, a família levou a jovem para Peruíbe, no litoral sul de São Paulo, enquanto ainda se recupera dos ferimentos causados por Lindemberg Alves. Na terça-feira, os peritos do IC devem começar a ser convocados para participar da reconstituição da tragédia. Um dia antes, uma reunião será realizada para determinar quais equipamentos vão ser utilizados. Para impedir que a reconstituição seja prejudicada por pessoas querendo ver o trabalho dos peritos, as autoridades de segurança pública restringirão o acesso ao bloco onde morava Eloá, seus pais e irmãos. Os moradores do 3º andar serão impedidos de ficar no local, para evitar tumulto. Ainda não está definido se os demais moradores do conjunto habitacional receberão algum tipo de crachá ou se a identificação será feita por meio de documentos pessoais. De acordo com a lei, o seqüestrador, Lindemberg Alves, não é obrigado a participar da simulação. Ele poderá acompanhar se quiser, mas não participar. A adolescente Nayara Rodrigues da Silva, de 15 anos, esteve ontem à tarde no Instituto Médico-Legal (IML) de Santo André, no ABC paulista, acompanhada da mãe, Andreia Rodrigues Araújo. A garota passou por exames de corpo de delito. Antes, passou a manhã em um apartamento de uma tia no bairro Baeta Neves, em São Bernardo do Campo. Para evitar a imprensa, saiu do prédio escondida, dentro de um Pálio Weekend vermelho, sem que ninguém a visse. Muitos ficaram todo o dia na frente do residencial, à espera de que Nayara aparecesse na janela do 5º andar do edifício e acenasse. Vários motoristas pararam os carros na frente do prédio, enquanto dezenas de curiosos se aglomeravam à frente. Na saída do IML, Nayara foi levada, na companhia da mãe, para Peruíbe. "Agora, nós estamos em locais separados. Ela não pode ir para a praia, por causa do pós-operatório. Mas está na casa de um amigo da família", disse Andreia. A medida foi tomada para que a jovem tivesse mais tranqüilidade. Anteontem, os médicos do Centro Hospitalar Municipal substituíram um aparelho de contenção provisório que havia sido colocado em sua boca, na sexta-feira, dia em que terminou o seqüestro, por outro ortodôntico, que permitirá a Nayara continuar o tratamento em casa. O novo equipamento deverá será usado por 90 a 120 dias. CAMILLA HADDAD, LUISA ALCALDE e DIEGO ZANCHETTA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.