Perícias e dados de quebra de sigilo dão início à fase 'técnica'

Com a soltura do ex-governador José Roberto Arruda, as investigações sobre o esquema de corrupção no Distrito Federal entrarão numa fase "técnica". O próprio ministro Fernando Gonçalves - relator do inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ) - revelou ontem que, a partir de agora, a apuração será em cima de documentos e informações que serão analisados nos próximos dias.

Cenário: Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2010 | 00h00

Ontem, Gonçalves recebeu os relatórios dos depoimentos e perícias da Polícia Federal. Dentro dessa nova fase técnica, estão, por exemplo, perícias e dados de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico dos investigados.

A polícia e o Ministério Público têm analisado não só a lista de ligações feitas por meio dos aparelhos, como também monitorou as conversas telefônicas nos últimos meses, conforme comprova o pedido de prorrogação do inquérito feito em março pela subprocuradora da República Raquel Dodge.

A subprocuradora, aliás, queria a manutenção da prisão de Arruda na cela da Polícia Federal.

Em cima de novos depoimentos de Durval Barbosa - ex-secretário de Relações Institucionais do DF - e recentes descobertas sobre o esquema de corrupção em Brasília, a subprocuradora aposta que Arruda ainda pode interferir, por meio de seu poder político, nas investigações do Inquérito 650.

Em depoimento à CPI da Corrupção, há duas semanas, Durval Barbosa afirmou que o "rolo compressor" nem havia começado. Ele vem sendo interrogado semanalmente pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. Foi flagrado, na semana passada, jantando num restaurante de luxo em Brasília.

Parte desse "rolo compressor" citado por Barbosa já está nos apensos sigilosos do inquérito conduzido pelo STJ, que, provavelmente a partir de semana que vem, estará nas mãos do ministro Castro Meira.

Apesar da cassação do mandato do ex-governador do Distrito Federal pela Justiça Eleitoral, o inquérito ainda permanece no Superior Tribunal de Justiça. O motivo é que, entre os investigados, está Domingos Lamoglia, conselheiro do Tribunal de Contas do DF. Por causa do cargo, Lamoglia conta com foro privilegiado, o que mantém os autos nas mãos do tribunal superior.

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