Perito demitido ataca reitor da Unicamp

O foneticista Ricardo Molina de Figueiredo, demitido há uma semana da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), disparou hoje uma série de acusações contra o reitor Hermano Tavares. Segundo ele, o reitor o obrigava a elaborar laudos de graça e passar determinados casos na frente de outros em troca de favores para atender a interesses políticos da universidade. O perito também acusa o reitor de ter impedido, em 99, a retomada do trabalho para identificação de desaparecidos políticos entre as ossadas encontradas há dez anos em uma vala clandestina do cemitério de Perus, na Grande São Paulo. "Chegamos a anunciar a retomada da perícia, mas o reitor nos proibiu de seguir adiante", disse. Segundo Figueiredo, que na época dirigia o departamento de Medicina Legal da Unicamp, a retomada do trabalho iria revelar irregularidades nas perícias realizadas pelo médico legista Badan Palhares, responsável pelos primeiros exames nas ossadas. "O reitor proibiu o trabalho, alegando que isso iria depor contra a universidade", conta. A denúncia é uma resposta de Figueiredo às acusações que resultaram na sua demissão por justa causa. Segundo a reitoria, o perito foi desligado da universidade devido a "irregularidades administrativas". Relatório elaborado por uma comissão de sindicância acusa Figueiredo de usar verba pública para comprar bebida alcoólica, caviar, e uma passagem aérea para a Europa sem justificativas. "Não fiz nada de errado e vou provar isso na Justiça", disse o perito.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.